Venezuela dá início a debate televisionado com oposição

O governo venezuelano e a coalizão opositora iniciaram na noite de quinta-feira um debate televisionado para melhorar a convivência no país e encarar os principais problemas. Ao início da reunião, realizada no Palácio do Governo, o presidente Nicolás Maduro disse que está aberto para falar e debater sobre todos os problemas.

AE, Agência Estado

11 de abril de 2014 | 01h36

Acompanhado por vários dirigentes do governo, o encontro conta com a presença dos governadores de oposição Henrique Capriles, Henri Falcón e Liborio Guarulla. Testemunhas internacionais, como os ministros de Relações Exteriores María Angela Holguín, da Colômbia, Ricardo Patiño, do Equador, e Luiz Alberto Figueiredo, do Brasil, também estão presentes.

Aldo Giordano, representante do Vaticano, compareceu ao debate com uma carta enviada pelo papa Francisco, que expressou "preocupação por tudo o que está ocorrendo" e pediu que governo e oposição superem as diferenças políticas para obter o "reconhecimento e o respeito pelo outro".

Antes do debate, Maduro disse que a reunião se tratava de um encontro de modelos: o socialismo bolivariano do século XXI e o modelo representado pela oposição. "Convoquei a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) para que nos ajude, a oposição não queria sentar e conversar e eu considero importante que a oposição retorne ao caminho democrático e constitucional", disse.

Essa é a primeira reunião formal entre governo da Venezuela e oposição desde que se iniciaram os violentos protestos em Caracas e em outras cidades do país, há dois meses.

Ramón Guillermo Aveledo, secretário-executivo do bloco opositor, em intervenção no encontro disse que, sempre com respeito à constituição, a agenda da oposição passa por falar sobre a crescente delinquência, a inflação e a atuação de grupos armados que se identificam com o governo. "Vamos falar da economia, da insegurança, da violência, da necessidade do desarme dos coletivos armados."

O secretário-executivo lembrou que o objetivo da reunião é construir uma agenda de trabalho concreta, que não termine apenas com palavras. Ele também lamentou a falta de oportunidade de conversas entre os dois lados. "É um sintoma preocupante. Algo anda muito mal para que um encontro entre governo e oposição seja raro", disse. Já o deputado opositor Andrés Velásquez, também durante o encontro, declarou não ver nenhum otimismo na reunião. "Quero expressar minhas mais profundas reservas a esses diálogos. Oxalá esteja equivocado", afirmou.

Velásquez ironizou ao dizer que compartilha da opinião expressada por vários membros do governo na véspera, que "disseram que aqui não vão negociar nada". O legislador pediu a Maduro uma discussão para um projeto de lei de anistia em favor dos chamados presos políticos. Fonte: Associated Press.

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