Palácio de Miraflores/via NYT
Palácio de Miraflores/via NYT

Venezuela define sanções dos EUA como 'terrorismo econômico'

Tesouro americano ampliou as restrições contra a família de Nicolás Maduro aos seus três enteados, além de um empresário colombiano, acusados de corrupção e fraude em licitações em programa de cesta básica

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 11h15

CARACAS - O ministério das Relações Exteriores da Venezuela definiu como “terrorismo econômico” as sanções dos Estados Unidos impostas na quinta-feira, 25, contra três enteados do presidente venezuelano Nicolás Maduro e um empresário colombiano.

O chanceler Jorge Arreaza publicou em sua conta no Twitter uma cópia do comunicado que denuncia “a reiterada agressão” da administração de Donald Trump com o anúncio de “medidas coercitivas unilaterais ilegais”.

Também em relação às novas sanções americanas, Maduro definiu como um "desespero" do país e reiterou, “aos senhores do império”, que “nem com um milhão de sanções irão deter os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP)”, já que estas foram aplicadas contra pessoas e entidades vinculadas ao programa social, segundo nota da assessoria de imprensa do presidente.

O CLAP é o programa de cestas básicas do governo, que oferece alimentos subsidiados mediante registro biométrico em bancos de dados eleitorais. Tanto o empresário Alex Saab quanto os filhos da primeira-dama Cilia Flores, Walter, Yosser e Yoswal, estariam envolvidos em um vasto esquema de corrupção com contratos superfaturados em licitações, segundo o Departamento do Tesouro americano, onde Saab organizou os esquemas.

Para a chancelaria venezuelana, tais medidas “se somam à perversa campanha de calúnias” contra a família de Maduro. As mesmas sanções foram impostas anteriormente a ele e à primeira-dama, além do filho do presidente, Nicolás Maduro Guerra, também por esquemas de enriquecimento ilícito com órgãos governamentais.

Ainda segundo o comunicado venezuelano, tais sanções têm o “objetivo criminoso” de “privar o povo venezuelano de seu direito à alimentação”, além de “desconhecer a vontade soberana do povo venezuelando e forçar uma mudança de governo por vias não constitucionais”.

As sanções do Tesouro americano afetam dez pessoas no total e 13 companhias com sedes em diferentes partes do mundo, como os EUA, Hong Kong, Emirados Árabes, Turquia, México, Panamá e Colômbia. Como resultado das sanções, todos os ativos nos EUA dos envolvidos serão congelados e serão proibidas transações bancárias com cidadãos americanos.

O governo de Trump lidera uma campanha para tirar Maduro do poder desde que o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autodeclarou presidente interino do país, em janeiro deste ano.

Desde então, os EUA têm imposto sanções contra vários funcionários venezuelanos, além de membros das Forças Armadas, e também têm restringido o comércio de ouro e movimentações financeiras nos EUA da empresa Petróleos da Venezuela (Pdvsa), principal fonte de divisas para Caracas. / EFE

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