EFE/LENIN NOLLY.
EFE/LENIN NOLLY.

Venezuela denuncia 'fraude' da OEA e promete protestar em outras instâncias

Para a chanceler bolivariana Delcy Rodríguez, países que votaram resolução contra o país realizaram uma manobra 'ingerencista'; ela prometeu protestar em outros foros, podendo chegar à Assembleia Geral da ONU

O Estado de S.Paulo

06 Abril 2017 | 11h10

CARACAS - A Venezuela acusou na quarta-feira a Organização dos Estados Americanos (OEA) de adotar "mediante uma fraude" a resolução que declara uma "grave" alteração da democracia neste país, e anunciou que protestará diante de outras "instâncias internacionais".

Depois da OEA aprovar a resolução mais rígida contra o governo de Nicolás Maduro, sua chanceler Delcy Rodríguez disse ao Conselho Permanente da organização que a Venezuela desconhece o texto. "A Venezuela desconhece essa sessão de fato" e "a pretendida resolução", assinalou a diplomata, acusando "um grupo de governos" de "subverter e infringir a ordem interna da OEA".

O ministro assessor de assuntos internacionais da Nicarágua, Siddartha Marín, qualificou o ocorrido como "manobras de 'ingerencistas' de um grupo de países". A resolução foi aprovada com 21 países presentes, dos quais quatro se abstiveram, e não foram registradas objeções.

Outros treze países estavam ausentes da sala no momento da consideração do texto, incluindo as representações de Bolívia, Venezuela e Nicarágua, que anteriormente abandonaram o local em protesto.

Mas Delcy assinalou que a resolução foi aprovada sem a maioria de 18 votos.

Caracas também questiona que a representação de Honduras tenha dirigido esta sessão, e não a Bolívia, que preside neste mês o Conselho Permanente, ou o Haiti, que está na vice-presidência.

Diante da ausência dos representantes de ambos os países, 20 outros aplicaram um inusual estatuto regulamentar que cede a direção do debate ao embaixador mais antigo, que neste caso é o representante hondurenho. Mas Delcy considerou essas manobras como uma "grave fraude jurídica e processual".

A Venezuela denuncia uma manobra "ingerencista" e avalia protestar em outros foros, incluindo a possibilidade de chegar à Assembleia Geral da ONU. "Em outras instâncias internacionais vamos expor o que ocorreu aqui na OEA", disse a chanceler durante entrevista.

O rechaço da Venezuela à resolução da OEA põe em xeque as tentativas da organização de mediar a crise política do país petroleiro. / AFP

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