Venezuela deu tiro no pé na ONU, diz embaixador americano

O embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton, disse que a Venezuela derrotou-se a si mesma na disputa por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, por conta dos ataques "impensados" do presidente Hugo Chávez ao presidente George W. Bush, durante a Assembléia Geral. "Foi um ato de ´podiacídio´", ou um tiro no próprio pé, disse Bolton a jornalistas. A corrida pela vaga da América Latina no conselho ficou altamente politizada neste ano, por conta do apoio dos EUA à Guatemala, contra a candidatura da Venezuela, cujo líder, Chávez, referiu-se a Bush como "demônio", durante discurso perante a Assembléia Geral da ONU. As chancelarias venezuelana e guatemalteca concordaram em retirar suas candidaturas e apoiar o Panamá como candidato de consenso. O governo de Chávez denunciou o que chamou de medidas coercitivas dos EUA para manter um governo que se opõe a Washington fora do conselho. Em discurso na semana passada, Chávez disse ser lamentável que "o império dos Estados Unidos use a Guatemala para pôr freio nas esperanças legítimas da Venezuela". Bolton, por sua vez, disse que a Guatemala, que bateu a Venezuela em 46 das 47 rodadas de votação realizadas - mas sem atingir a margem necessária para ficar com a vaga - "merece cumprimentos por promover uma campanha honrada". A Venezuela se disse vitoriosa na questão, ao impedir que o candidato americano fosse bem-sucedido. Mas Bolton afirmou que "a derrota da Venezuela certamente atinge nosso objetivo principal". Sobre como os EUA bateram os venezuelanos, o embaixador declarou que "os venezuelanos derrotaram a si mesmos, por uma série de táticas".

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