Venezuela diz não querer Paraguai fora do Mercosul

Após aderir ao bloco, Caracas modera tom com Assunção; Patriota vai a Lima discutir a crise política paraguaia

CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h04

A Venezuela mudou ontem o tom em relação ao Paraguai, dizendo que não "acredita" nem "quer" que o país sul-americano deixe o Mercosul. As declarações foram feitas por Isabel Delgado, secretária da presidência venezuelana que cuida da adesão do país ao bloco.

"Não acreditamos que o Paraguai vá embora", disse Isabel em entrevista a um jornal local que apoia o governo do presidente Hugo Chávez. "Não acreditamos e não queremos."

A secretária do governo Chávez garantiu ainda que a Venezuela está preparada para se adaptar às regras tarifárias do Mercosul, argumentando que 30% da adequação já havia sido feita em função do acordo de livre comércio preexistente entre Caracas e o bloco. "Não será um processo de adaptação brusco."

O sinal de moderação de Caracas veio no momento em que, em Lima, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, discutia com autoridades peruanas a crise em Assunção. Patriota foi recebido pelo presidente Ollanta Humala e pelo ministro das Relações Exteriores, Rafael Roncagliolo.

Controvérsia. O Paraguai foi suspenso do Mercosul e da Unasul após a destituição do presidente Fernando Lugo, no dia 22 de junho. Os vizinhos sul-americanos alegam que a queda de Lugo, em um processo de impeachment realizado em 36 horas, representou uma "ruptura da ordem democrática". Assim, o Paraguai teria violado as cláusulas democrática dos dois blocos. O governo paraguaio, comandado por Federico Franco, afirma que a destituição foi constitucional, sem ferir a democracia.

Com o Paraguai suspenso, os demais membros fundadores do Mercosul - Brasil, Argentina e Uruguai - autorizaram a adesão venezuelana. Resistente em aprovar a entrada de Caracas, o Congresso paraguaio havia se tornado a última barreira para a ampliação do Mercosul. / AFP

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