EFE/Tiago Petinga
EFE/Tiago Petinga

Venezuela diz que ultimato dado pelo Mercosul é ilegal

Chanceler diz que Brasil, Argentina e Paraguai criam artimanhas jurídicas para destruir o bloco comercial

O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2016 | 15h10

CARACAS - O governo da Venezuela rechaçou nesta quarta-feira, 14, o ultimato dado na noite de ontem pelos demais países-membros do  Mercosul, que deram até 1º de dezembro para Caracas se adaptar ao protocolo de adesão ao bloco, sob pena de suspensão. A decisão, aprovada por Brasil, Argentina e Paraguai - o Uruguai se absteve - foi chamada de ilegal pela chanceler venezuelana Delcy Rodríguez. 

"A Venezuela, no exercício pleno da presidência pró-tempore do Mercosul e no resguardo de seus tratados, rechaça a declaração da Tríplice Aliança, que vulmnera a legalidade do bloco", disse a chanceler no Twitter. "No Mercosul, as decisões se adotam por consenso, respeitando suas as normas de funcionamento."

A chanceler prometeu ainda expor "a verdade" sobre as regras adotadas pela Venezuela, como medida para proteger o bloco, que, ainda de acordo com ela, está sendo destruído por artimanhas jurídicas de governos de direita de Paraguai, Argentina e Brasil. 

Na noite de ontem, o Mercosul anunciou que a presidência pró-tempore do bloco, que, pela regra de ordem alfabética caberia à Venezuela, será exercida de maneira conjunta pelos demais membros do bloco até que Caracas regularize uma série de acordos alfandegários para integrar-se à entidade. 

Entre os acordos não cumpridos pelos bolivarianos citados pelo Mercosul estão o que prevê livre circulação de bens entre os países membros, o de residência de cidadãos do bloco em outros países e o de promoção de direitos humanos. 

A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) elogiou a decisão do bloco. "Maduro foi derrotado pelo Mercosul. A comunidade internacional hoje tem certeza sobre a realidade da Venezuela", disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional, Luis Florido. "A declaração obriga Maduro a libertar os presos políticos e realizar ainda este ano o referendo revogatório de seu mandato." / EFE e AFP

 

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