Venezuela e Colômbia criam mecanismos conjuntos para monitorar fronteira

Ministros de Defesa terão comunicação 'permanente'; Chávez promete pagar dívida com empresários.

Claudia Jardim, BBC

21 de agosto de 2010 | 00h33

Os governos de Colômbia e Venezuela anunciaram, nesta sexta-feira, a criação de mecanismos de comunicação permanentes entre seus ministros de Defesa para combater grupos irregulares que transitam na extensa fronteira entre os dois países, problema que se converteu no pivô de uma crise entre os vizinhos.

A decisão foi tomada em uma reunião de trabalho entre funcionários dos dois governos com o presidente venezuelano Hugo Chávez, que teve o objetivo de reativar as relações políticas e econômicas entre Caracas e Bogotá, depois de superada a crise diplomática, há pouco mais de uma semana.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse que as equipes conversaram com "bastante franqueza" sobre temas relacionados ao combate ao narcotráfico e a "distintos grupos de caráter irregular", em referência às guerrilhas e paramilitares colombianos.

"Ficou estabelecido um mecanismo de comunicação permanente" entre os ministros da Defesa para abrir espaços que gerem "confiança entre as instituições encarregadas de cuidar da segurança de nossos países e da fronteira especificamente", afirmou Maduro, na sede da chancelaria, em Caracas.

No encontro entre os governos foram instaladas cinco comissões que trabalharão nos seguintes temas: pagamentos de dívidas e relançamento das relações comerciais; acordos de complementação econômica; investimentos sociais na zona fronteiriça; desenvolvimento conjunto de infraestruturas e proteção e segurança das fronteiras.

Na prática, essas comissões representam mecanismos de reaproximação após a ruptura diplomática entre Colômbia e Venezuela, no final de julho.

Dívidas

No caso do pagamento da dívida da Venezuela com empresários colombianos, o governo venezuelano se comprometeu em pagar "rapidamente" US$ 200 milhões. O restante, estimado em US$ 600 milhões, passará por uma auditoria.

O governo venezuelano questiona o montante, ao argumentar que a suposta dívida é resultado de superfaturamento no processo de importações de produtos colombianos à Venezuela.

Também nesta sexta-feira, na sede do governo, Chávez disse estar "satisfeito" com a reaproximação entre os países e disse "pedir a Deus" que não apareçam no caminho "aqueles que pretendem fazer com que briguemos ou que plantem dificuldades" para o restabelecimento de relações plenas com o governo de Juan Manuel Santos.

"Que se imponha entre nós o afeto, a boa fé e a vontade de trabalhar juntos e de restabelecer plenamente as relações entre os países", afirmou Chávez.

A chanceler colombiana, Maria Ángela Holguín, disse que Colômbia e Venezuela "estão dando passos na direção correta, passos duradouros".

'Virar a página'

A acusação do governo do então presidente colombiano Álvaro Uribe sobre a suposta presença de acampamentos guerrilheiros na Venezuela foi o pivô da crise que levou à ruptura de relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá.

Ao assumir o poder na Colômbia, Juan Manuel Santos disse que a normalização das relações com a Venezuela era uma de suas prioridades.

Três dias depois da posse, Chávez viajou à Colômbia, onde os dois presidentes concordaram em "virar a página" e dar fim a uma das piores crises diplomáticas da história dos dois países.

Na ocasião, Chávez voltou a afirmar que não apoia as guerrilhas colombianas."Incito a Colômbia, aos que ainda não estão convencidos: o governo venezuelano não apoia nem apoiará a guerrilha colombiana". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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