Venezuela e Equador criticam EUA por combate à coca

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, saiu na quarta-feira em apoio a seu futuro colega equatoriano, Rafael Correa, acusando Washington de hipocrisia na sua guerra ao narcotráfico. Correa, que assume o poder em Quito em janeiro, criticou nesta semana a fumigação de plantações de coca na fronteira da Colômbia com o seu país.Chávez também afirmou que os EUA usam o combate às drogas para se estabelecerem militarmente na América Latina, e acusou o embaixador norte-americano em Caracas de mentir ao dizer que o narcotráfico está aumentando na Venezuela."A batalha contra o contrabando de drogas é uma desculpa que os imperialistas usaram durante anos para penetrar em nossos países, esmagar nossos povos e justificar uma presença militar na América Latina", disse Chávez a jornalistas no aeroporto de Caracas, durante uma rápida visita do seu aliado Correa."A grande causa está aí, o consumo, o dinheiro da droga, os bancos que lavam bilhões de dólares por ano, mas ninguém faz nada a respeito", declarou Chávez.Correa argumentou recentemente que a fumigação de cultivos ilegais na Colômbia acaba atingindo cultivos legais e populações do lado equatoriano da fronteira. Em protesto, Quito retirou seu embaixador de Bogotá."A Colômbia deve procurar outros métodos", defendeu Chávez.A Colômbia, maior produtor mundial de cocaína, insiste que a fumigação é segura.Correa disse também que não vai prorrogar a autorização para que aviões militares dos EUA usem uma base aérea na cidade portuária equatoriana de Manta para realizar missões na Colômbia, no Peru e na Bolívia.O presidente eleito equatoriano, que assume em janeiro, é parte de uma aliança cada vez maior de líderes esquerdistas na América Latina. Ele e Chávez vão usar sua visita para explorar a cooperação entre a Venezuela e o Equador.Relações paralisadasEm outro ataque à política antidrogas dos EUA, Chávez disse que as relações com Washington estão paralisadas até que o embaixador dos EUA em Caracas retire sua declaração de que o narcotráfico cresceu na Venezuela.Chávez disse que William Brownfield contou uma "grande mentira" ao dizer que isso se deve ao fim da cooperação de Caracas com a DEA (agência antidrogas dos EUA), no ano passado.Ele acrescentou que os comentários de Brownfield contradizem a intenção manifestada por Tom Shannon, secretário-assistente de Estados dos EUA para a América Latina, de cooperar com a Venezuela em assuntos de interesse mútuo.

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