Venezuela e EUA ensaiam retomada de laços diplomáticos

Kerry reúne-se com Jaua durante cúpula da OEA na Guatemala e promete relações construtivas com bolivarianos

CIDADE DA GUATEMALA, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2013 | 02h07

Os governos da Venezuela e dos Estados Unidos ensaiaram ontem uma rara aproximação diplomática depois de Caracas ter libertado um cineasta americano preso desde abril, sob a acusação de espionagem. Horas depois de Timothy Hallet Tracy embarcar para Miami, o secretário de Estado americano, John Kerry, reuniu-se com o chanceler venezuelano, Elías Jaua. Os dois teriam concordado em manter relações mais construtivas.

"Concordamos em encontrar maneiras de forjar relações mais positivas entre nossos países", disse Kerry na Cidade da Guatemala, onde os dois participam da Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). "A libertação de Tracy foi um avanço positivo nesse sentido", disse.

A reunião foi marcada a pedido da diplomacia venezuelana. Fontes do Departamento de Estado disseram à Reuters que Kerry tinha a esperança, mas não a certeza, de que a libertação de Tracy seria um indício de que Caracas busca uma reaproximação.

O encontro entre os chanceleres foi o primeiro em nível ministerial entre os dois países. Washington ainda não reconheceu a controvertida vitória do presidente Nicolás Maduro sobre o opositor Henrique Capriles, por uma vantagem de 1,5 ponto porcentual, nas eleições de 14 de abril. Em março, horas antes da morte de Chávez, Maduro, então presidente interino, que já tinha acusado Washington de ter provocado o câncer do líder bolivariano, expulsou dois adidos militares da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas.

Na terça-feira, Maduro elogiou o agendamento da reunião entre seu ministro e Kerry. "Será uma reunião interessante. Vai permitir a transmissão direta ao governo do presidente (dos EUA, Barack) Obama da visão que o governo da Venezuela possui a respeito das relações", disse.

O governo americano tem se mostrado disposto a colaborar com a Venezuela, em especial em áreas como contraterrorismo e narcotráfico, mas mostra ressalvas quanto à lisura do processo eleitoral e pede que reivindicações da oposição sejam aceitas. As relações diplomáticas entre os dois países estão suspensas desde 2010.

Cineasta. Tracy foi detido durante a eleição de Nicolás Maduro sob a acusação de trabalhar como espião para o governo americano e de assessorar estudantes ligados à oposição com meios para desestabilizar o país. Tracy embarcou ontem para Miami após quase dois meses de prisão em Caracas. Seu advogado, Daniel Rosales, afirmou que o caso foi arquivado./ REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.