Venezuela e Guatemala deverão desistir de vaga na ONU

Os ministros de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, e da Guatemala, Gert Rosenthal Koenigsberger, se reunirão nesta quinta-feira pela manhã numa tentativa de chegar a um acordo sobre a desistência de ambos para a vaga não permanente no Conselho de Segurança da ONU, abrindo espaço para um terceiro candidato. O impasse entre os dois países continuou, nesta quarta-feira, após mais seis rodadas de votações - foram 41 rodadas desde o início do processo eleitoral. Após dois dias de recesso, as votações foram novamente suspensas até terça-feira.A Venezuela chegou a anunciar sua desistência em favor de um terceiro candidato, a Bolívia. Mas este deve ter o consenso do bloco latino-americano e só será possível se os dois oponentes concordarem em deixar a disputa. Em nota oficial, a Guatemala reafirmou a sua candidatura. A busca de um terceiro candidato tem o apoio do Grupo de Países Latino-Americanos e do Caribe (Grulac). Apesar das especulações, ainda não se sabe quem seria este terceiro candidato. O embaixador equatoriano, Diego Cordovez, que preside este mês o Grulac, deve participar da reunião como mediador.O embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Sardenberg, disse nesta quarta-feira não ver ainda uma saída para o impasse. "A Guatemala quer continuar na disputa e o grupo tem de respeitar os seus direitos. Os candidatos são soberanos e, enquanto não houver consenso entre os dois sobre a possibilidade e darem lugar a um terceiro candidato, as votações devem continuar", disse Sardenberg. O Brasil apóia a Venezuela junto com o bloco do Mercosul. "Mas vamos aguardar o encontro dos dois países."Para especialistas ouvidos pelo Estado, a indicação da Bolívia para a vaga foi apenas uma tentativa da Venezuela de diminuir a imagem negativa que o episódio deixou para o País, internacionalmente. Primeiro, um terceiro candidato tem de ser de consenso entre os países do bloco latino-americano na ONU e não indicado por apenas um país. Diplomaticamente, a Venezuela seria o candidato a retirar-se, após 40 rodadas perdidas e um empate, e sua posição tem sido considerada como teimosia na queda de braço com os Estados Unidos.Enquanto acontecem as votações, com representantes dos 192 países, a agenda da Assembléia Geral da ONU fica paralisada. Com a demora para se chegar a um consenso, a Haya Rashed al Khalifa decidiu realizar as votações apenas uma vez por semana e não todos os dias, como ocorreu na primeira semana.O embaixador do Chile na ONU, Heraldo Muñoz, disse que o grupo de países latino-americanos aposta que se chegue a um consenso na reunião de amanhã.

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