Miguel Gutierrez/EFE
Miguel Gutierrez/EFE

Venezuela e Irã se unem para superar crise

Economias dos dois países sofrem com sanções; presidentes Nicolás Maduro e Hassan Rohani reafirmaram planos de cooperar em projetos energéticos, agrícolas e financeiros

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 05h00

Estrangulada pelas sanções americanas, a Venezuela está recebendo ajuda de outro país isolado pelos EUA: o Irã. Enquanto soldados guardam postos com combustível em Caracas, os iranianos começaram a enviar componentes da mistura usada na produção de gasolina. Teerã está fornecendo também trabalhadores e equipamentos para refino, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

A ajuda vem em um momento crítico. Enquanto o restante do mundo luta com o excesso de oferta de petróleo, que reduz o preço da energia, a Venezuela está ficando sem combustível. As sanções interromperam abruptamente suprimentos importantes e a população sofre com hiperinflação, escassez de alimentos e agora o coronavírus.

A crise aproximou Venezuela e Irã, cuja economia também sofre com as sanções. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e seu colega iraniano, Hassan Rohani, reafirmaram, na semana passada, seus planos de cooperar em projetos energéticos, agrícolas e financeiros. Desde então, a iraniana Mahan Air está transportando para a Venezuela misturas de gasolina, técnicos de transporte e peças de reposição para ajudar a reparar uma das maiores refinarias do mundo, segundo funcionários da PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo. Maduro também analisa a compra de gasolina pronta do Irã usando intermediários.

O suprimento de combustível é crucial para a Venezuela, pois seus estoques limitados de gasolina são racionados para militares e fornecedores de comida e remédios. Isso deixa a maioria pagando preços altíssimos no mercado negro para encher o tanque. “É inconcebível é que um país com as maiores reservas de petróleo do mundo precise receber ajuda humanitária do Irã”, disse Carlos Vecchio, representante da oposição venezuelana nos EUA. Segundo ele, os aliados de Maduro usam o comércio de gasolina para ganhar dinheiro e se arriscam a novas sanções. / WASHINGTON POST

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.