Venezuela é livre para vender seus F-16s a qualquer país

A Venezuela é livre para vender seus 21 jatos F-16 de fabricação norte-americana a qualquer país que desejar, incluindo o Irã. A autorização foi concedida nesta sexta-feira pelo vice-presidente Jose Vincente Rangel, que justificou a decisão argumentando que os Estados Unidos violaram um contrato firmado com o país ao se recusarem a vender peças de reposição dos aviões. Perguntado se a Venezuela tem a intenção de vender as aeronaves ao Irã, Rangel respondeu: "(Vamos vender) a quem quer que seja. O que os Estados Unidos não têm o direito de fazer é suspender o suplemento de peças depois de firmado um contrato."O departamento de Estado americano disse no início da semana que a Venezuela tem a obrigação contratual de obter a aprovação de Washington para qualquer venda dos F-16s. Algo muito difícil de ser conseguido, informaram funcionários do governo americano.A polêmica teve como estopim a decisão de Washington de impor um embargo à venda de armas ao governo do presidente Hugo Chávez, que, segundo a Casa Branca, não tem cooperado com a guerra contra o terrorismo. Para Chávez, a alegação é ridícula. De acordo com o presidente, os Estados Unidos tentam desarmar seu governo com o objetivo de depô-lo. No início da semana, o porta-voz do governo Alberto Muller anunciou que recomendou a venda dos aviões como resposta ao embargo. Segundo Muller, um dos potenciais compradores era o Irã. Jatos russosChávez já havia dito que poderia compartilhar os F-16s com Cuba e China, e que gostaria de comprar novos jatos da Rússia devido a relutância de Washington em vender as peças de reposição dos F-16s. Em entrevista à Associated Press na quinta-feira, Muller confirmou que as forças armadas venezuelanas estão estudando a compra de jatos russos Sukoi Su-35.Mais cedo na quinta-feira, a agência de notícias russa Interfax informou que o embaixador venezuelano em Moscou, Alexis Navarro Rojas, disse que a Venezuela está esperando para iniciar a negociação dos jatos com a Rússia e que Chávez visitaria Moscou nos próximos meses.Segundo ele, pilotos venezuelanos já testaram jatos Su-27 e Su-30."Eles simplesmente se apaixonaram pelas aeronaves. E também testaram o Su-35. Agora esperamos pelo início das negociações", disse Rojas à Interfax.Se realizada, a compra será a última de uma série de aquisições venezuelanas de armamentos russos: Caracas está comprando 100 mil rifles Kalashnikov e, no mês passado, um alto comandante do exército da Venezuela anunciou que o país planeja adquirir 33 helicópteros militares para serem usados pelas patrulhas antidrogas.

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