EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Venezuela é o país mais triste da América Latina, diz estudo da ONU

Conclusão é do 'Relatório Mundial da Felicidade de 2018', elaborado por especialistas da ONU, que classificou 156 países pelo nível de felicidade da população a partir de dados colhidos pelo instituto Gallup entre 2015 e 2017

O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 20h38

CIDADE DO VATICANO - A Venezuela é a nação mais triste da América Latina. A afirmação poderia ser de um opositor ao chavismo ou algum dos milhões de venezuelanos que tentam sobreviver à severa crise econômica que atinge o país. No entanto, a conclusão é do “Relatório Mundial da Felicidade de 2018”, elaborado por especialistas da ONU e apresentado nesta quarta-feira, 14, na Cidade do Vaticano.

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O estudo classificou 156 países pelo nível de felicidade da população a partir de dados colhidos pelo instituto Gallup entre 2015 e 2017. No ano passado, a Venezuela tinha ficado em 82.º lugar na classificação geral. Em 2018, ficou em 102.º, entre Nepal (101.º) e Gabão (103.º). O país latino-americano apresenta queda constante na classificação desde 2008.

Além das pesquisas de opinião entre os habitantes dos países envolvidos, os especialistas da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas usaram também para elaborar o ranking informações estatísticas, como renda per capita, apoio social, esperança de vida saudável, liberdade social, generosidade e ausência de corrupção no ambiente político.

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A nota, de 0 a 10, que os venezuelanos dão para a própria vida, de acordo com os dados do relatório, caiu de 7,6, em 2010, para 4,1, em 2016. “A Venezuela – um país que passa por um difícil processo político, social e econômico durante os últimos anos – mostra um impressionante declínio na avaliação de vida das pessoas”, afirma o estudo.

Uma das principais conclusões do relatório, segundo o economista John Helliwell, da Universidade da Colúmbia Britânica, do Canadá, é que o nível de felicidade dos habitantes dos países é similar ao dos imigrantes que eles recebem. “Os países mais felizes do mundo também têm os imigrantes mais felizes”, declarou o especialista. 

De acordo com o estudo, a maioria dos imigrantes na América Latina foge de “violência civil ou de governos ruins”. “No caso específico da Venezuela, entretanto, é plausível que muitas migrações não sejam em razão da fuga de uma atmosfera de deterioração rápida da liberdade política e da estabilidade econômica”, diz o relatório.

As pessoas mais felizes do mundo estão nos países nórdicos, segundo do relatório da ONU. A Finlândia é a nação mais feliz do planeta, seguida de Noruega, Dinamarca e Islândia. Na sequência, vêm Suíça, Holanda, Canadá, Nova Zelândia, Suécia e Austrália. 

O ranking dos dez mais felizes é igual ao do ano passado, quando a Noruega ocupou o 1.º lugar da lista – e a Finlândia, a campeã de 2018, ficou na quinta posição. Burundi e República Centro-Africana, ambos consumidos por violência política, são os países mais tristes do mundo. 

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Estados Unidos. Pelo segundo ano consecutivo, os Estados Unidos perderam posições no ranking da felicidade das Nações Unidas. Os americanos ficaram em 18.º lugar no relatório de 2018. Obesidade, abuso de drogas, incluindo a epidemia de uso de opioides e a ocorrência de depressão entre parte da população anulam a impressão de felicidade que poderia decorrer do crescimento econômico, de acordo com o estudo.

“As redes de apoio social nos EUA têm se enfraquecido ao longo do tempo. Percepções de corrupção no governo e nos negócios se elevaram e a confiança nas instituições públicas declinou”, afirma o relatório da ONU.

No ano passado, os Estados Unidos ficaram em 14.º lugar. “Esta crise social americana é amplamente notada, mas não resultou em políticas públicas. Quase todo discurso político em Washington se centra em tentativas ingênuas de elevar a taxa de crescimento, como se isso pudesse, de alguma maneira, curar as crescentes divisões e as angústias da população”, disse o economista Jeffrey D. Sachs, da Universidade Columbia, um dos autores do estudo. / W.POST, NYT, AFP e EFE

 

 

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