Venezuela é um país dividido

Em terra firme, a percepção é muitodiferente, confirmando a tese dos venezuelanos de classe médiaque vieram de São Paulo na noite de sexta-feira, de que o paísfoi dividido em dois. A rodovia que liga o Aeroporto Juan SantaMaría a Caracas havia sido interditada no início da noite, porsimpatizantes de Hugo Chávez que moram nas favelas das encostasdos morros que circundam a cidade. Uma fila de carros de váriosquilômetros se formou na chamada Autopista, impedidos de passarpelas barricadas de madeira e pneus pegando fogo, pedradas e atédisparos vindos dos morros. Sentados ou deitados no chão, ou perambulando pelo aeroporto,centenas de pessoas que desembarcaram desde o início da noitetiveram de esperar a noite toda para poder seguir para suascasas e hotéis. A Autopista só foi liberada na madrugada destesábado. "Começou a guerra", anunciou o motorista de táxi CarlosAlberto Aguilera, enquanto levava o repórter da AE para um hotelno balneário de Puerto Viejo, ao lado do aeroporto. "Os ricosfizeram a parte deles. Puseram fogo no pavio. Agora é a nossavez. Vamos defender Chávez até a morte." Nos muros da periferia de Caracas, pichações prometem"defender a revolução até o fim", numa referência à doutrinaesquerdista e bolivariana - de defesa da integraçãosul-americana - de Chávez. O presidente revolucionário se foi,mas a divisão do país - que já existia antes dele, mas que elefomentou - persistirá por muito tempo.

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