Miguel Gutierrez/Efe
Miguel Gutierrez/Efe

Venezuela emite mandados de prisão contra opositores exilados nos EUA

Medida anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, o chavista Diosdado Cabello, é resposta a sanções impostas por Washington a indivíduos ligados ao governo

O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 19h15

CARACAS - A Justiça da Venezuela emitiu na madrugada de ontem quatro mandados de prisão de contra nomes ligados à oposição exilados nos EUA. Eles foram acusados de terrorismo. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, na TV estatal. Além disso, Cabello pediu que os Estados Unidos enviem de volta à Venezuela os banqueiros Eligio Cedeño e Nelson Mezerhane, exilados em Miami.

Entre os opositores mencionados pelo líder do Legislativo, está o ex-chefe do gabinete militar do ex-presidente Carlos Andrés Peres, Mario Iván Carratú Molina, o comediante e ativista político Orlando Urdaneta e os dirigentes do partido Frente Patriótico Alberto Franceschi González e Jesús María Cristancho Amezquita. Cabello ainda “desafiou” o governo americano a revelar a lista de funcionários venezuelanos suspeitos de serem donos de contas no exterior, que Washington diz ter.

“Isso não sou eu quem está mandando. Isso foi determinado por um tribunal. Aqui estão as assinaturas do juiz que cuida de casos associados ao terrorismo”, disse Cabello, que provocou os opositores. “Não deu tempo de vocês comprarem os lança foguetes? Me contem.”

O número 2 do chavismo informou ainda que os sete funcionários venezuelanos sancionados pelos EUA no começo da semana apresentarão uma ação contra o governador e líder de oposição Henrique Capriles por afirmar que as medidas assumidas pelos EUA se dirigem a funcionários corruptos. “Ele disse que esses funcionários são uns ladrões. Agora, terá de demonstrar com provas o que está dizendo”, ameaçou. 

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“Isso não sou eu quem está mandando. Isso foi determinado por um tribunal. Aqui estão as assinaturas do juiz que cuida de casos associados ao terrorismo”
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Os pedidos de prisão são a primeira medida do chavismo contra a oposição desde o anúncio de sanções. Na quarta-feira, a Assembleia Nacional venezuelana aprovou em votação prévia a concessão de uma Lei Habilitante ao presidente Nicolás Maduro para “enfrentar a ameaça americana” - o dispositivo constitucional permite ao Executivo governar por decreto e terá efeito por seis meses.

Diplomacia. O Parlamento Europeu aprovou ontem uma moção crítica ao governo da Venezuela e pediu a libertação de todos os políticos opositores e estudantes presos no país. O texto, patrocinado por partidos conservadores, social-democratas e liberais da UE, não impõe sanções ao país. 

“Manifestamos nossa profunda preocupação com a deterioração da situação na Venezuela e o excesso de violência contra manifestantes. Exortamos o governo a pôr fim à perseguição política, à repressão à oposição democrática e à censura à imprensa”, diz o texto. “Prisões arbitrárias de opositores põem em dúvida a legitimidade do resultado das próximas eleições legislativas.”

Um dos principais mediadores da crise venezuelana, o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, disse ontem que não é o momento de buscar o confronto com os Estados Unidos. O ex-presidente colombiano defendeu o diálogo entre Caracas e Washington para amenizar o impasse atual. 

“Acredito que todos os países têm de discutir ao lado dos Estados Unidos para onde vão as relações no continente”, disse Samper a jornalistas em uma palestra para estudantes no Equador. “Devemos definir se participamos de um multilateralismo compartilhado por todos ou se há espaço para decisões unilaterais como essa.”

Uma nova reunião do bloco sobre a Venezuela deve ocorrer no Equador.” / AFP e AP

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