Venezuela emite mandados de prisão contra opositores exilados nos EUA

A Justiça da Venezuela emitiu na madrugada de ontem quatro mandados de prisão contra nomes ligados à oposição exilados nos EUA. Eles foram acusados de terrorismo. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, na TV estatal. Além disso, Cabello pediu aos EUA a extradição dos banqueiros Eligio Cedeño e Nelson Mezerhane, exilados em Miami.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

13 Março 2015 | 02h02

Entre os opositores mencionados pelo líder do Legislativo, está o ex-chefe do gabinete militar do ex-presidente Carlos Andrés Peres, Mario Iván Carratú Molina, o comediante e ativista político Orlando Urdaneta e os dirigentes do partido Frente Patriótico, Alberto Franceschi González e Jesús María Cristancho Amezquita. Cabello ainda "desafiou" o governo americano a revelar a lista de funcionários venezuelanos suspeitos de serem donos de contas no exterior, que Washington diz ter.

"Isso não sou eu quem está mandando. Isso foi determinado por um tribunal. Aqui estão as assinaturas do juiz que cuida de casos associados ao terrorismo", disse Cabello, que provocou os opositores. "Não deu tempo de vocês comprarem os lança-foguetes? Contem-me."

O número 2 do chavismo informou ainda que os sete funcionários venezuelanos sancionados pelos EUA no começo da semana apresentarão uma ação contra o governador e líder de oposição Henrique Capriles por afirmar que as medidas dos EUA se dirigem a funcionários corruptos. "Ele disse que esses funcionários são ladrões. Agora, terá de provar o que está dizendo", ameaçou.

Os pedidos de prisão são a primeira medida contra a oposição desde o anúncio de sanções. Na quarta-feira, a Assembleia Nacional aprovou em votação prévia a concessão da Lei Habilitante ao presidente Nicolás Maduro para "enfrentar a ameaça americana" - o dispositivo constitucional permite ao Executivo governar por decreto e terá efeito por seis meses.

O Parlamento Europeu aprovou ontem uma moção crítica ao governo da Venezuela e pediu a libertação de todos os políticos opositores e estudantes presos no país. O texto, patrocinado por partidos conservadores, social-democratas e liberais da UE, não impõe sanções ao país.

Um dos principais mediadores da crise venezuelana, o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, disse ontem que não é o momento de buscar o confronto com os EUA. O ex-presidente colombiano defendeu o diálogo entre Caracas e Washington para amenizar o impasse atual.

"Todos os países têm de discutir ao lado dos EUA para onde vão as relações no continente", disse Samper durante palestra no Equador. "Devemos definir se participamos de um multilateralismo compartilhado por todos ou se há espaço para decisões unilaterais como essa."

Unasul. A reunião extraordinária de chanceleres da Unasul sobre a crise entre EUA e Venezuela foi remarcada para amanhã, em Quito, onde fica a Secretaria-Geral da organização. Inicialmente agendada para hoje, em Montevidéu, o encontro havia sido cancelado por falta de agenda dos ministros.

O encontro, pedido pela Venezuela e apoiado pelo Equador, foi confirmado pelo Twitter pelo ministro das Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, e por Samper. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, participará do encontro depois de passar hoje pelo Paraguai. / AP e AFP COM LISANDRA PARAGUASSU

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