Venezuela entra na contramão da tendência regional

Quando anunciou, em 13 de fevereiro de 2002, a livre flutuação do bolívar, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, nada mais fez do que incorporar seu país a uma tendência mundial - a de que os sistemas de vinculação "suave" de uma moeda local a uma moeda forte, como o dólar, sejam abandonados (e quase sempre de forma turbulenta). A vinculação "suave" são diversas formas pelo qual o governo, e não o mercado, determina qual vai ser a taxa de câmbio, como bandas ou minidesvalorizações. A vinculação "dura" é o "currency board" - o câmbio é fixo, e toda a moeda nacional em circulação pode legalmente ser trocada por moeda forte das reservas internacionais do país. Os anos de 2001 e 2002 foram significativos na América Latina em termos de regimes cambiais, com o colapso tantos dos últimos representantes da vinculação suave, como a Venezuela e o Uruguai, quanto do "currency board" argentino. O câmbio flutuante passou a dominar, sendo adotado no Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai e (gradativamente) na Argentina, enquanto a dolarização (substituição da moeda nacional pelo dólar) ficou reservada a pequenos países, como Panamá, Equador e El Salvador. Agora, na contramão das tendências do continente, Chávez está reintroduzindo um regime não-flutuante, com a taxa de câmbio fixada pelo governo, e sem "currency board". Os controles de capitais anunciados pela Venezuela, neste sentido, são fundamentais, porque a última década mostrou que os sistemas de câmbio controlado tendem a ser destruídos quando as forças de mercado funcionam livremente.

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