Venezuela entrou em recessão, diz governo

PIB do país caiu nos 3 primeiros trimestres do ano e inflação anualizada atingiu 63,9%

O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2014 | 21h41

CARACAS - Horas antes de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciar um programa de recuperação econômica para 2015, o Banco Central da Venezuela (BCV) divulgou seu relatório anual indicando que o país entrou em recessão em 2014.

O PIB da Venezuela se contraiu 2,3% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre a economia venezuelana já havia caído 4,9% e no primeiro trimestre o índice havia diminuído 4,8% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório.

Outro dado divulgado pelo BCV foi a inflação, que não tinha dados oficiais desde agosto. Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou em 4,7% e, segundo o relatório, em setembro e outubro a inflação foi de 4,8% e 5%, respectivamente. Já a taxa de juros anualizada fechou o mês de novembro em 63,9%, enquanto o índice acumulado chegou a 60,1%.

“Essas ações – os protestos contra o governo entre fevereiro e julho – bloquearam a correta distribuição de produtos de primeira necessidade para a população, assim como o desenvolvimento normal da produção de bens e serviços”, justificou o BCV em nota divulgada junto com o relatório. “Esse cenário resultou em um pico inflacionário e em uma queda da produção econômica.” 

Reação. Na noite de segunda-feira, Maduro havia prometido para a noite desta terça-feira, 30, medidas econômicas que poderiam incluir um novo sistema de controle de divisas para 2015.

“Farei anúncios importantes para todos os aspectos da estabilidade financeira em moeda nacional e em moeda livremente conversível, com todos os passos que daremos sobre o novo sistema cambial”, afirmou o presidente em um evento em Caracas. “Devemos fazer com que 2015 seja o ano da grande mudança de consciência e do modelo econômico venezuelano.”

O presidente venezuelano afirmou que também revelaria medidas “de bom senso” para conter a guerra econômica que o mercado internacional teria declarado a seu país. “Querem declarar um default da dívida venezuelana. Um default mental é o que tem a direita mundial.”

Pelo Twitter, Henrique Capriles, governador de Miranda e principal político da oposição, afirmou que os anúncios do governo seriam apenas um novo pacote econômico. “Esperar até hoje para fazer anúncios econômicos? Vai causar mais angústia para nosso povo”, escreveu em sua conta. Além disso, ele prometeu comparecer a uma reunião com prefeitos convocada por Maduro para o domingo. / EFE e REUTERS

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