REUTERS/Marco Bello
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Venezuela está ante uma 'ambição ditatorial' de Maduro, diz procuradora-geral

Luisa Ortega Díaz, chavista que rompeu com presidente venezuelano, disse que Constituinte vai acabar com direitos a voto, manifestação e liberdade de expressão e não é um 'projeto de país que proporia o presidente Hugo Chávez'

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 16h46

CARACAS - A Procuradora-Geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, afirmou nesta segunda-feira, 31, que o país está diante de uma "ambição ditatorial" do presidente Nicolás Maduro, e não reconhece a Assembleia Constituinte eleita no domingo durante um dia de violência que deixou dez mortos.

"Eu me dirijo ao país (...) para desconhecer a origem, o processo e suposto resultado da imoral  Constituinte presidencial (...). Estamos frente a uma ambição ditatorial", afirmou Ortega em um  pronunciamento, ao assegurar que essa instância "não tem legitimidade".

Ortega, chavista que rompeu recentemente com Maduro, assegurou que a Constituinte "vai acabar" com os direitos a voto, manifestação e liberdade de expressão. "Todos os direitos políticos estão em perigo", advertiu. 

O poder eleitoral anunciou que oito milhões de venezuelanos participaram na votação de domingo, o que Maduro celebrou "como um triunfo histórico", mas a oposição denuncia como fraude.

"Essa Constituinte presidencial não tem legitimidade. É uma piada com o povo e sua soberania. Veremos um poder absoluto nas mãos de uma minoria", sentenciou a procuradora.

Ela disse ainda que o governo quer "exercer o poder sem limite algum" e este "não é o projeto de país que proporia o presidente Hugo Chávez (1999-2013)".

Ortega rompeu com Maduro há quase quatro meses ao qualificar como "ruptura da ordem constitucional" as decisões do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que se sobrepuseram às competências do Parlamento, de maioria opositora.

Vítimas

A procuradora também atualizou o balanço de vítimas da violência relacionada direta ou indiretamente com os protestos contra Maduro. Segundo ela, 121 pessoas morreram e outras 1.958 ficaram feridas desde 1º de abril, quando começou uma onda de manifestações.

"Nos últimos quatro meses temos um saldo lamentável, 121 pessoas mortas, 121 venezuelanos que perderam a vida. Outros 1.958 feridos, de todos os tipos: em estado grave, gravíssimo", acrescentou a titular do Ministério Público (MP). / AFP e EFE

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