Venezuela exalta golpe frustrado de Chávez

Maduro promete divulgar mensagem de presidente para os venezuelanos

CARACAS, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h06

Milhares de partidários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, tomaram ontem as ruas de Caracas para celebrar o 21.º aniversário do golpe frustrado promovido pelo líder bolivariano contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Durante o dia de comemorações, líderes chavistas exaltaram a figura de Chávez, internado em Cuba desde de dezembro, e lhe juraram lealdade.

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, reafirmou a lealdade das Forças Armadas - nas quais tem considerável influência - a Chávez. O vice-presidente Nicolás Maduro, herdeiro político do líder bolivariano, exaltou o golpe frustrado, inaugurou um quadro em homenagem ao presidente e prometeu divulgar uma nova mensagem do chefe de Estado, o que até o fim da noite não tinha ocorrido.

"A frase 'Me retiro por agora' foi como dizer 'A luta continua' e agora iremos para a revolução", disse Maduro, vestido com uma jaqueta com as cores da bandeira da Venezuela, sobre o pronunciamento de Chávez no qual assumiu a responsabilidade pela intentona, há 21 anos. "Chávez foi o primeiro a dar a cara a tapa. Porque ele apareceu por um minuto e meio na televisão? Porque era o líder do movimento, estrategista e ideólogo."

Cabello, companheiro de Chávez desde o golpe, destacou a lealdade da ala militar chavista em discurso. "A lealdade não tem gradação. Ou somos leais ou não somos. Todos aqui somos obrigados a ser leais com o comandante Chávez, sua palavra, seu pensamento e sua ação", disse Cabello, que foi apresentado para discursar como "o tenente radical chavista Diosdado Cabello". "A lealdade não pode ser cômoda e praticada por conveniência."

Cabello ainda acusou a oposição venezuelana de semear boatos sobre uma suposta cisão no chavismo. Chávez anunciou Maduro em detrimento de Cabello como seu herdeiro político antes de partir para Cuba para sua última cirurgia contra um câncer pélvico, em dezembro. A escolha levantou rumores sobre uma suposta divisão entre a ala civil e a militar do chavismo, hipótese que tem sido descartada por parte dos analistas.

O presidente da Assembleia Nacional, que retornou de Cuba no domingo, também disse que Chávez continua se recuperando positivamente. Desde a cirurgia, em 11 de dezembro, não foram divulgadas imagens, vídeos e áudio do presidente. Por meio dos escassos boletins de saúde divulgados pelo governo, sabe-se que Chávez sofreu uma infecção pulmonar após a operação, que já foi controlada, e ainda apresenta um quadro de insuficiência respiratória. "Ele melhora a cada dia, dá instruções e está preocupado com o povo", disse.

Os manifestantes chavistas concentraram-se desde cedo em cinco pontos de Caracas, provocando problemas no trânsito ao longo do dia. Os ativistas se reuniram para um comício dos principais líderes chavistas no bairro de 23 de Enero, um dos principais redutos do movimento.

No ato, Maduro inaugurou um quadro de Chávez, de boina e uniforme militar, remetendo aos dias do golpe. Um documento que autoriza investimentos da PDVSA, com a assinatura de Chávez, foi mostrado por Maduro.

Mesmo com a ausência do presidente, os meios de comunicação estatais preencheram sua grade de programação com programas sobre o golpe fracassado e a famosa declaração de Chávez na ocasião. / AP e AFP

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