Venezuela expulsará estrangeiro que opinar 'contra a pátria'

Chanceler justifica expulsão de chefes de ONG que acusaram Hugo Chávez de corromper democracia

Reuters e Efe,

19 de setembro de 2008 | 19h30

A Venezuela expulsará qualquer estrangeiro que emita uma opinião contra "a pátria", advertiu nesta sexta-feira, 19, o chanceler Nicolás Maduro, depois de justificar a expulsão de dois membros da Human Rights Watch (HRW) por afirmarem que o presidente Hugo Chávez corrói a democracia. A expulsão ocorreu por causa de um relatório da entidade entitulado "Uma Década de Chávez: Intolerância Política e Oportunidades Perdidas para o Progresso dos Direitos Humanos na Venezuela."   Veja também: 'Fomos expulsos como criminosos', diz diretor da ONG Diretor se diz surpreso com reação do governo  Imagens da chegada dos chefes da ONG a SP Horas depois da divulgação do documento, os representantes da ONG foram escoltados por autoridades até serem colocados em um avião com destino a São Paulo. Uma nota da Chancelaria venezuelana indicou que a expulsão foi decidida "com base nos valores constitucionais de defesa da soberania nacional e da dignidade do povo venezuelano", e indicou que Vivanco e Wilkinson entraram esta semana no país com visto de turistas.   Segundo a assessoria da HRW, em Nova York, ambos estavam no Brasil somente de passagem. Eles embarcariam nesta noite com destino, provavelmente, aos Estados Unidos. "Estrangeiro que vier opinar contra a nossa pátria será expulso de maneira imediata. Já devem saber os que pretendam seguir nesses joguinhos a que podem se ater", advertiu Maduro, uma semana depois de Chávez ordenar a saída do embaixador de Washington em Caracas.   O governo Chávez tem se queixado com frequência das críticas de algumas organizações internacionais, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que durante um ato falou sobre restrições à liberdade de imprensa na Venezuela.   "Se este tipo de organização pretende seguir fazendo shows, que os faça no exterior, que os faça onde lhes dê vontade, que vão a Washington, Nova York. Aqui na Venezuela acabaram esses shows contra a integridade, a dignidade e o valor (do país)", afirmou Maduro.   Em comunicado, a HRW afirma que a expulsão de Vivanco e Wilkinson, "diretor e subdiretor da divisão das Américas da Human Rights Watch, sublinha a intolerância crescente do governo Chávez por diferenças de opinião."

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