Isaac Urrutia/Reuters-11/6/2011
Isaac Urrutia/Reuters-11/6/2011

Venezuela fará novo racionamento de energia

Governo afirma que todos devem reduzir consumo em 10% para garantir a estabilidade do setor elétrico

, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 00h00

CARACAS

O governo da Venezuela anunciou ontem a retomada das medidas para economizar energia elétrica e evitar um novo apagão no país. A resolução inclui desde um desconto para consumidores que reduzirem o consumo de eletricidade até a diminuição do horário permitido para funcionamento de letreiros luminosos.

O vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, afirmou que o governo quer apenas o "uso racional" da eletricidade, para estabilizar o sistema elétrico nacional.

Indústrias e instituições do Estado com alto consumo sofrerão cortes de fornecimento de eletricidade. Letreiros comerciais deverão permanecer acesos apenas entre 19 horas e meia-noite. As residências que conseguirem reduzir o consumo em 20% terão desconto de até 50% na conta de luz. Os clientes que aumentarem o consumo pagarão multas de até 200% sobre a conta.

No fim de semana, um novo apagão afetou cinco Estados venezuelanos. Desde o início do ano, ocorreram outros blecautes e cortes programados.

A instabilidade no fornecimento de energia já atingiu a popularidade do presidente Hugo Chávez, que tentará a reeleição no ano que vem. O governo afirma que os problemas são causados por pessoas que "esbanjam" eletricidade e por "sabotagens" de opositores de Chávez.

Há anos, a Venezuela enfrenta uma grave crise energética por causa da falta de investimentos no setor e a população vive sob a ameaça de rotineiros apagões. O consumo diário por habitante no país é o segundo mais alto da região (3.078 quilowatts/hora), superado apenas pelo Chile.

O consumo de eletricidade no país cresce cerca de 7% por ano. Segundo reportagem do jornal El Nacional, os projetos termoelétricos que permitiriam superar a crise energética registram atrasos de até 70% na execução das obras.

O sistema de produção de energia atual é formado por 5 centrais hidrelétricas. A maior delas - instalada na Represa de Guri - produz cerca de 70% da eletricidade consumida no país, e outras 30 usinas termoelétricas. A chegada das chuvas restaurou os níveis das represas, mas foi insuficiente para gerar energia e atender à demanda do país. / AFP e REUTERS

PARA LEMBRAR

Em 2010, crise fechou lojas

No ano passado, o racionamento deixou algumas regiões da Venezuela sem luz por até 8 horas diárias e impôs uma redução no horário de funcionamento dos shopping centers e estabelecimentos comerciais e a jornada do funcionalismo público foi cortada. Na ocasião, a crise energética foi causada por uma seca prolongada, que reduziu o nível da Represa de Guri, atingindo também o brasileiro Estado de Roraima, que é abastecido pelo país vizinho.

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