Venezuela fecha 2017 com inflação de 2.616% e queda no PIB de 15%

Venezuela fecha 2017 com inflação de 2.616% e queda no PIB de 15%

Projeção foi feita por Comissão de Economia do Parlamento, ligada à oposição; impressão de dinheiro sem lastro agrava a crise

O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 17h53

CARACAS - A Venezuela fechou 2017 com uma inflação de 2.616% e uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 15%, segundo cálculos de uma comissão especializada do Parlamento, de maioria opositora.

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A indústria petroleira - responsável por 96% da receita do país - produz 1,9 milhão de barris diários, segundo a última cifra oficial divulgada. A redução da produção foi de mais de 400 mil barris diários no ano passado, segundo o Parlamento.  O governo, que não reconhece o Parlamento, culpa o colapso dos preços do petróleo e uma "guerra econômica" de empresários de direita pela grave crise. 

Em 2017, Maduro anunciou seis aumentos salariais, o último, em 31 de dezembro, que definiu o salário mínimo integral (salário mais bônus alimentar) em 797.510 bolívares (US$238 dólares na taxa oficial e US$ 6 no mercado negro.  "Não há aumento salarial que possa combater esta situação", disse o deputado opositor Rafael  Guzmán, observando que a Venezuela é o único país do mundo com hiperinflação. 

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O deputado José Guerra, presidente do Comitê de Finanças, disse que para interromper a hiperinflação é preciso desmantelar o sistema de controle cambial vigente há 15 anos. Diante da falta de dólares, muitos empresários recorrem ao mercado negro para operar seus negócios, disparando os os preços de bens e serviços.

De acordo com Guerra, o Banco Central deve "parar a impressão de dinheiro inorgânico", e o governo precisa "refinanciar a dívida externa", estimada em cerca de US$ 150 bilhões. "Estamos falando de uma inflação que pode passar de 10.000% se o Banco Central continuar financiando o governo", afirmou Guerra.

Segundo o FMI, a inflação da Venezuela vai chegar a 2.350% em 2018. O organismo estimou uma queda do PIB de 12% em 2017 e de 6% para o próximo ano. / AFP

 

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