Carlos Eduardo Ramírez / Reuters
Carlos Eduardo Ramírez / Reuters

Venezuela fecha fronteira por 72 horas e acusa Colômbia de ‘exportar pobres’

Presidente Nicolás Maduro toma medida como retaliação a ataque de contrabandistas que feriu militares venezuelanos na região

O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2015 | 01h00

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem o fechamento total da fronteira do país com a Colômbia por 72 horas. A medida foi uma reação a um ataque de contrabandistas colombianos a soldados das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) venezuelanas. Os criminosos agiram na madrugada e feriram três militares e um civil.

Maduro pediu ao governo de Bogotá uma reunião entre chanceleres para esclarecer o que chamou de “graves” questões da região. “Há uma perturbação total da vida na fronteira que deve ter atenção de ambos os governos. Por isso, instruí a chanceler (venezuelana) Delcy Rodríguez para coordenar de maneira imediata uma reunião com a chancelaria colombiana.”

Bogotá comentou com tranquilidade o fechamento da fronteira. A ministra das Relações Exteriores do governo do presidente Juan Manuel Santos, María Holguín, afirmou que o país combate e continuará a combater os contrabandistas na fronteira com a Venezuela.

“Isso (o fechamento da fronteira) é uma medida soberana do governo venezuelano para bloquear as pontes e possíveis passagens de delinquentes para o território venezuelano.” Holguín acrescentou que já estuda uma data para atender ao pedido de reunião feito por Caracas.

O secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, afirmou que paramilitares colombianos podem estar por trás do ataque na fronteira. “Há um ano denunciamos o perigo de intromissão de paramilitares colombianos na Venezuela. Hoje, confirma-se que é uma realidade”, escreveu Samper em seu perfil no Twitter.

Escalada. Durante a tarde, participando de uma reunião no Palácio de Miraflores, o presidente venezuelano voltou a tratar do assunto, dessa vez, fazendo uma série de acusações contra a Colômbia – entre elas, a de que o país vizinho teria “exportado” o narcotráfico para a Venezuela.

Em tom áspero, Maduro também afirmou que a imigração de colombianos para a Venezuela “só é comparável” ao êxodo de africanos em direção à Europa e o vizinho é um “exportador de pobreza”. O discurso durante a reunião foi retransmitido em rede nacional. O presidente disse que a entrada de colombianos no território está levando a Venezuela “ao limite”.

A retórica de Maduro voltou a deteriorar as relações entre os dois países. Durante todo o período do chavismo no poder, as relações têm passado por momentos de danos profundos e reaproximações ocasionais.

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, frequentemente acusado pelos chavistas de fomentar a discórdia e até de promover atos violentos de opositores durante protestos na Venezuela, respondeu ontem às investidas de Maduro. 

“Diria que não há nada mais perigoso que um fracassado em apuros como está Maduro”, disse Uribe, referindo-se à crise interna que o presidente venezuelano enfrenta. O país sofre com escassez de produtos básicos, descontrole cambial e redução drástica nas receitas provocada pela queda mundial do preço do petróleo, principal recurso de exportação da Venezuela e responsável por cerca de 96% dos dólares que entram no país.

O contrabando na fronteira com a Colômbia é apontado pelos chavistas como uma das causas da escassez. Maduro afirma ter prendido mais de 6 mil contrabandistas desde o início de operações especiais, há um ano, e apreendido mais de 28 mil toneladas de alimentos. / AFP e EFE

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