EFE
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Venezuela formaliza nova banda cambial para conter déficit fiscal

Venezuelanos poderão comprar até US$ 300 em casas de câmbio, mas maior parte das divisas segue controlada pelo governo

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 20h08


CARACAS - O governo da Venezuela formalizou ontem a criação de uma terceira banda cambial que venderá dólares com base na oferta e na demanda. A porcentagem de desvalorização do bolívar, no entanto, não foi divulgada. A medida tem como objetivo reduzir o déficit fiscal do país, estimado em cerca de 20% do PIB, agravado nos últimos meses pela queda no preço do petróleo. 

Batizada de Sistema Marginal de Divisas (Simad), a nova banda cambial tem como objetivo suplantar o mercado paralelo de dólares, no qual a moeda americana é cotada em até 185 bolívares. “O Simad é aberto e livre. Compradores e vendedores poderão negociar entre eles”, disse o ministro das Finanças, Rodolfo Marco Torres. “O limite individual para a compra será de US$ 300 por dia. Não haverá restrições à venda.”

O presidente do Banco Central, Nelson Merentes, acredita que o novo mecanismo não terá grande impacto sobre a inflação e ajudará a diminuir o preço do dólar no mercado paralelo. 

O país tem outras duas faixas de câmbio. A oficial, de 6,30, na qual são negociados os contratos do governo e a importação de alimentos e remédios, e o Sicad, no qual o Banco Central leiloará dólares à iniciativa privada a uma taxa inicial de 12 bolívares. A flutuação desse valor será definida pelo governo. 

Atacadistas têm tido dificuldades de acesso a dólares há pelo menos dois anos, depois que o presidente Nicolás Maduro diminuiu a oferta de dólares ao setor. Com isso, o comércio recorreu ao mercado paralelo, o que fez o preço da moeda no negociada ilegalmente disparar e alguns produtos desaparecerem das prateleiras das lojas. 

Segundo autoridades venezuelanas, 70% das importações do país - que compra de fora quase tudo que consome - ainda serão negociadas com o câmbio de 6,30, o que, a princípio impediria uma escalada ainda maior da inflação. Analistas acreditam que, em razão disso, a quantidade de dólares disponíveis para as outras duas faixas cambiais será insuficiente para restaurar o equilíbrio entre a oferta e a procura da divisa no mercado privado. 

“Manter a maior parte dos dólares submetida a uma taxa sobrevalorizada de 6,30 é um absurdo que superestimula a demanda por moeda estrangeira e mantém a distorção em meio a uma crise que cortou pela metade as receitas do Estado”, disse o economista Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis. 

Asdrubal Oliveros, da Ecoanalítica, também vê a medida com ceticismo. “O governo optou por repetir a mesma tática do ano passado de migrar produtos para bandas mais caras, mas o petróleo já não custa mais US$ 100”, afirmou. / AFP

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