Venezuela formaliza sua retirada da Comunidade Andina de Nações

O governo da Venezuela antecipou o envio da carta de retirada do país da Comunidade Andina de Nações (CAN), que tinha anunciado para a próxima semana, e a enviou neste sábado, informaram dois ministros do presidente, Hugo Chávez. O chanceler venezuelano, Alí Rodríguez, e a ministra de Indústrias, María Cristina Iglesias, informaram em entrevista coletiva que a carta de retirada do bloco foi enviada às instâncias executivas da Comunidade Andina de Nações, cuja presidência rotativa é exercida atualmente pela Venezuela. Segundo a Comunidade, a Venezuela deve manter em vigor nos próximos cinco anos o programa andino de libertação aduaneira, por isso terá que importar e exportar sob as atuais condições tarifárias. "O comércio com Colômbia, Equador, Peru e Bolívia continuará com absoluta normalidade; ou seja, o trânsito de mercadorias, de pessoas e de tudo que garante a atividade comercial normal de nossos países não tem por que mudar", ressaltou María Cristina. Rodríguez ratificou que a saída do bloco se deve à assinatura por Peru e Colômbia do Tratado de Livre-Comércio com os Estados Unidos, impregnados da "já derrotada proposta de formar uma Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA)", como antecipou Chávez no Paraguai na última quarta-feira, quando anunciou sua decisão. Um dia depois, no Brasil, Chávez confirmou sua decisão de deixar a CAN e na sexta-feira reiterou, em Caracas, que a decisão era irreversível e irrevogável, e responsabilizou os Estados Unidos pela destruição do bloco. "Não há marcha à ré (...). Lamentamos muito, mas isso já não serve, o império o destruiu", acrescentou Chávez. Mercosul O presidente venezuelano informou que pediu ao Mercosul que apresse a incorporação plena de seu país ao bloco, mas também pediu que se renove "com base na solidariedade entre os povos e a complementaridade econômica". Há mais de três anos o presidente da Venezuela afirma que a Comunidade Andina de Nações e o Mercosul devem "transcender" e se transformar na Comunidade Sul-Americana de Nações, criada em 7 de dezembro de 2004 em Cuzco (Peru). Esta comunidade possuirá instâncias executivas que começarão a serem discutidas em reunião que Chávez fará na próxima quarta-feira em São Paulo com os presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva, e o argentino, Néstor Kirchner.

Agencia Estado,

22 Abril 2006 | 18h50

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