Venezuela impede banqueiros de controlar empresas de comunicação

Críticos dizem que projeto visa enfraquecer grupos empresariais contrários a Chávez

AE, Agência Estado

19 de agosto de 2010 | 13h34

Os parlamentares venezuelanos aprovaram hoje uma lei para impedir os donos de bancos de também controlarem grandes fatias em companhias da mídia. Os críticos condenam o projeto, argumentado que ele tem como meta enfraquecer os grupos empresariais contrários ao presidente Hugo Chávez.

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Com a aprovação da lei pela Assembleia Nacional, controlada pelos chavistas, ela passará a valer assim que o presidente assiná-la. A administração Chávez solicitou a aprovação da medida recentemente, após acusações de que o banqueiro Nelson Mezerhane, um dos principais acionistas da emissora Globovisión, estava usando sua influência na mídia para atrair clientes para seu banco e então roubar seus depósitos. A Globovisión faz oposição ao governo.

Funcionários do governo afirmam que Mezerhane, que nega as acusações, veiculou anúncios de televisão promovendo sua instituição, o Banco Federal, retratando-a como segura e sólida, mesmo quando ela estava supostamente com problemas sérios de liquidez.

O governo tomou o controle do Banco Federal. Foi emitido um mandado de prisão contra Mezerhane, que estaria vivendo nos Estados Unidos. Em entrevistas à imprensa, o banqueiro disse que não pretende voltar para Venezuela tão cedo.

A Globovision é a única importante emissora de televisão na Venezuela que permanece crítica ao governo Chávez, que comanda o país desde 1999. Ao estatizar o banco de Mezerhane e assumir o controle da parcela de 26% dele na Globovisión, a oposição acusa Chávez de preparar uma eventual tomada completa da Globovisión.

Fotos

Em outro capítulo das divergências das autoridades da Venezuela com a imprensa, um tribunal de Caracas proibiu esta semana os jornais do país de publicarem imagens violentas durante um mês. A decisão foi motivada por uma foto de um necrotério veiculada pelo jornal "El Nacional" em sua capa, na sexta-feira passada. Em protesto, o diário trouxe ontem espaços para fotos em branco, com a palavra "censurado" escrita no lugar das imagens.

A decisão contra os jornais foi tomada pouco mais de um mês antes das eleições legislativas na Venezuela, marcadas para 26 de setembro. A violência é apontada como um dos principais problemas do país pelos venezuelanos, mas o governo acusa a mídia de promover um clima de medo com uma cobertura sensacionalista. As informações são da Dow Jones.

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