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Venezuela inicia semana tensa antes de greve nacional

A uma semana do início da greve nacional convocada pela oposição e com o governo fechado em sua posição de não aceitar a antecipação de um referendo consultivo, os venezuelanos tentam prosseguir em sua vida quotidiana em meio a um clima de tensão. Apesar da crise econômica que castiga o país, no fim de semana as lojas ficaram cheias de ansiosos compradores em busca de seus presentes de Natal e com o tema da greve dominando as conversas. "Estamos muito mal e na verdade não sabemos o que vem pela frente, mas tentamos levar uma vida normal", afirmou Diego Arias, enquanto olhava a vitrine de uma loja de artigos esportivos. Poucos são os habitantes de Caracas que acreditam em uma solução através da mesa de negociações entre os opositores, reunidos na Coordenadoria Democrática, e o governo; mas também é grande o número dos que duvidam de que se possa encontrar uma saída para a greve convocada para 2 de dezembro.Para o taxista José Luis Martínez, a medida só prejudicará os que menos têm. "É a melhor época do ano para muitos e, se não trabalharmos, não ganhamos", disse, embora assegurasse ser a favor da saída do presidente Hugo Chávez dopoder.Segundo os resultados de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pelo jornal El Universal, 59% dos entrevistados apóiam a medida de protesto, contra 26% que a rejeitam e 15% que não quiseram responder ou que disseram não saber. Enquanto a população se vê envolvida no debate entre o "sim" e o "não", dirigentes da oposição confiam em obter um apoio maciço para a greve a fim de conseguir seu objetivo: que Chávez aceite a consulta popular antecipada ou, até mesmo, que renuncie. "Não será um (protesto) a mais, será a estocada definitiva", disse Antonio Ledezma, presidente da máxima entidade empresarial do país, a Fedecámaras. Não obstante, o mandatário foi muito claro no domingo quando assegurou que não deixará o poder, mesmo que a realização de um referendo consultivo em dezembro seja aprovada pelo Conselho Nacional Eleitoral e pelo Tribunal Supremo de Justiça, e que a oposição vença a consulta com 90%. As declarações de Chávez alertaram a parte contrária e, nesta segunda-feira, o presidente da poderosa Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Carlos Ortega, ao dizer que considera "viável" a realização do referendo, afirmou que o governo planeja "atos terroristas, lançamento de granadas...atentados contra personalidades... meios de comunicação...". Nos dias anteriores, figuras como o embaixador dos EUA em Caracas, Charles Shapiro, e o mediador César Gaviria, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), expressaram-se preocupados com a situação do país. "Peço ao governo que não desafie a Coordenadoria a convocar a greve, isso não é conveniente", disse Gaviria, que retoma nesta segunda-feira o processo de negociação com as duas partes. A convocação para a que será a quarta greve em menos de um ano foi bem acolhida pelos setores dos funcionários da educação e da saúde, foi rejeitada pelo de transporte, e a influente empresa estatal de petróleo ainda não decidiu a respeito. Enquanto se mantém a convocação para a greve e as negociações prosseguem, espera-se também esta semana uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre a intervenção do governo na Polícia Metropoliltana (PM), que alguns vêem como uma tentativa de militarização da capital.

Agencia Estado,

25 de novembro de 2002 | 17h45

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