Venezuela intensifica investigação de abusos

Após debate com a oposição, governo eleva de 39 para 41 o número de mortes em atos

CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2014 | 02h04

A Procuradoria-Geral da Venezuela divulgou ontem um balanço que aumentou de 39 para 41 o número de mortos nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança no país desde o início da recente onda de protestos no país, há mais de dois meses.

A entidade também anunciou o indiciamento de oito agentes de forças de inteligência e repressão pela morte do estudante Bassil Dacosta, em 12 de fevereiro.

A atualização dos números foi feita pela procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega Díaz, horas após o fim da primeira rodada de diálogo entre governo e oposição, com mediação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Vaticano, em Caracas. A Unasul é representada nas conversas pelos chanceleres de Brasil, Luiz Alberto Figueiredo; Equador, Ricardo Patiño; e Colômbia, María Holguín.

A procuradora venezuelana afirmou que as duas mortes acrescentadas à lista durante a semana foram a de um policial atingido em meio a um tumulto e de uma manifestante que havia sido atropelada durante um protesto em março e estava internada, mas não resistiu.

As conversas entre o presidente Nicolás Maduro e setores da oposição se arrastaram até o início da madrugada. Henrique Capriles, o representante mais destacado da oposição presente à reunião e candidato derrotado por Maduro na eleição presidencial de 2013, fez reprovações ao líder chavista. "A Venezuela está em uma situação altamente crítica", afirmou.

Moderação. Capriles representou a Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão de oposição que o lançou à presidência contra o sucessor de Hugo Chávez em 2013. "Não queremos um golpe de Estado nem uma explosão social", acrescentou. "Queremos que o problema se resolva. Respeitemos a Constituição e abandonemos a repressão", concluiu, referindo-se às ações conduzidas pelo oficialismo nos últimos meses para suprimir os protestos.

O secretário executivo da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, usou o tempo que se levou para organizar um diálogo de conciliação como exemplo dos problemas que a oposição enxerga no governo Maduro. "Em uma democracia, o diálogo deve ser a regra, não a exceção", disse.

Maduro descartou, desde o início de suas falas na reunião, a possibilidade de que o encontro pudesse ser concluído com acordos formais ou pactos. O presidente disse que a intenção é estabelecer uma "coexistência pacífica dos dois modelos de país que se propõem para a Venezuela".

O chavista, que já havia oferecido sem sucesso um diálogo de paz com a oposição no início da crise, respondeu negativamente aos pedidos de anistia aos presos durante protestos - incluindo o líder opositor Leopoldo López, do partido Vontade Popular.

De acordo com o balanço publicado pela procuradora-geral horas depois, o número de detidos nas manifestações ainda não libertados é de 175 em todo o país. / AFP

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