EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Venezuela lidera compra de armas na América do Sul na última década

Quase todo abastecimento veio de Rússia e China e foi quase o dobro das compras do Brasil, indica instituto

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2018 | 13h20

GENEBRA  - A Venezuela, que hoje vive a pior crise humanitária do continente, foi quem mais se armou na última década na região, abastecido principalmente por fornecedores russos e chineses. No auge do chavismo, o mercado venezuelano chegou a ser superior ao do Iraque e Afeganistão.  

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Dados divulgados nesta segunda-feira,12, pelo Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz (Sipri), com sede em Estocolmo, apontam que 89% das compras de armas por parte do governo de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro vieram desses dois parceiros comerciais.  

“Nos anos depois das mudanças de liderança política na Venezuela em 1999, as relações com os principais fornecedores de armas daquele momento - Europa e EUA - essencialmente terminaram”, apontou o informe da entidade, reconhecida como referência mundial em termos de dados sobre o fluxo de armas. 

 “A Venezuela reconstruir suas forças armadas com armas da Rússia e China e foi o maior importador da América do Sul durante dez anos, de 2008 a 2017”, indicou o relatório.  

A entidade não calcula a compra de armas em dólares, já que muitos dos acordos são sigilosos e baseado em preços fortemente influenciados por governos. Assim, a entidade desenvolveu um indicador próprio, conhecido como “indicador do valor de tendência (TIV)”, que mede o custo de produção de cada arma.  

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Por essa conta, a Venezuela importou 4,1 mil TIV nos últimos dez anos, contra apenas 2,1 mil do Brasil.  Em termos de mercado, a importação da Venezuela chegou a ser 2% de todo o fluxo de armas no mundo, superior ao que Iraque ou Afeganistão chegaram a comprar. Com a crise a partir de 2014, a queda nas compras de Caracas foi de 40%. Mas, em 2017, elas chegaram a zero.  

O levantamento também revela que a venda de armas no Oriente Médio e na Ásia registraram um importante salto. O maior fornecedor continua sendo os EUA, com 34% do mercado mundial. Durante os últimos cinco anos, a Arábia Saudita se converteu no segundo importador mundial de armas atrás da Índia. Os Estados Unidos são o principal fornecer dos sauditas, garantindo 61% do abastecimento. 

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Em nível mundial, as vendas das armas - em alta desde 2003 - aumentaram 10% no volume no período 2013-2017, 

Brasil 

 De uma forma geral, o Sipri indica que as importações de armas na América do Sul atingiram um nível baixo, coincidindo com um “baixo nível de tensão” entre os países e também com queda nos conflitos domésticos, como na Colômbia.

 A crise econômica no Brasil também pesou. O período entre 2013-2017 viu uma redução de 31% nas compras de armas pelo País, em comparação ao período entre 2008-2012. O Brasil, que representava 1% das importações de armas do mundo, passou para apenas 0,6%. Franceses, americanos e alemães são os principais fornecedores. 

Apesar da queda, o instituto aponta que o Brasil assinou importantes contratos para produtos que serão entregues entre 2018 e 2025. Isso inclui cinco submarinos da França e 36 jatos suecos.  

No que se refere às exportações, o Brasil representa hoje apenas 0,2% do mercado mundial de armas, com uma queda de 20% no que se refere aos níveis de 2012. O resultado coloca o Brasil como 24o maior fornecedor.  32% das armas vendidas pelo Brasil foram para o Afeganistão, contra 31% para Indonésia e 9% para Angola.  

Considerando em TIV, o Sipri aponta que o Brasil exportou 628 unidades na década. Nos últimos cinco anos, esse número caiu para apenas 279. 

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