Venezuela manda prender 14 por mortes em garimpo

Um tribunal do estado de Bolívar, na Venezuela, ordenou a prisão de 14 militares por suposta participação nas operações que deixaram diversos garimpeiros mortos na sexta-feira, entre eles quatro brasileiros. O caso mobilizou os dois governos envolvidos, além da sociedade civil, políticos e grupos de direitos humanos venezuelanos. O presidente Hugo Chávez pediu punição para os "excessos" dos militares que haviam sido destacados para proteger o garimpo ilegal em uma área de proteção ambiental.Os oficiais devem se apresentar à Justiça ainda na tarde desta sexta-feira. Mais dois brasileiros mortos pelo exército foram reconhecidos pelo Itamaraty, segundo nota oficial divulgada nesta quinta-feira. Eles são Elieser Alves Bastos e outro cidadão de nome Raimundo.O caso aconteceu na sexta-feira, em um garimpo ilegal na região de La Paragua, a cerca de 250 quilômetros de Ciudad Guayana. Relatos dos moradores afirmavam que havia quatro brasileiros entre os mortos.A contagem até o momento é de seis pessoas mortas por armas de fogo, mas moradores da região, dizem que outras cinco morreram afogadas ao tentar fugir dos militares.Tensão na fronteira Em protesto contra a operação do Exército, moradores da pequena Santa Elena de Uairén, o último povoado antes da fronteira com o Brasil, organizaram manifestações e bloquearam o centro da cidade, segundo o principal jornal de Bolívar, o Correio del Caroní.Grupos de direitos humanos denunciam que é comum o uso de força excessiva por parte do exército nas regiões da Amazônia venezuelana. La Paragua está a 800 quilômetros de Caracas, e Santa Elena, outros 600 quilômetros adiante.Quase metade dos 4 mil garimpeiros que trabalham na área, transformada em reserva ambiental há apenas dois meses, são brasileiros, segundo estimativas do consulado do Brasil em Ciudad Guayana.Em sua nota divulgada ontem, o Itamaraty afirmou que "aguarda o desdobramento das investigações que vêm sendo conduzidas pelo governo venezuelano, com o fim de apurar responsabilidades, bem como individualizar e punir os culpados".

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