Tomas Bravo/Reuters
Tomas Bravo/Reuters

Venezuela marca eleições para último trimestre

O anúncio do CNE, que não determinou uma data exata, foi feito após o órgão reconfigurar os distritos eleitorais do país o que favoreceria o chavismo

CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2015 | 02h03

As eleições para renovar as 165 cadeiras da Assembleia Nacional da Venezuela serão realizadas no último trimestre do ano, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena.

Sem determinar uma data exata, como exigem os partidos de oposição reunidos na Mesa de Unidade Democrática (MUD), Lucena criticou o fato de "a oposição ter feito declarações de que não haverá eleições para a Assembleia Nacional".

Até mesmo autoridades de países aliados têm pedido aos líderes venezuelanos que fixem o quanto antes a data das eleições legislativas, como o fez na semana passada o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. "Recebemos (do governo venezuelano) amplas garantias de as eleições serão realizadas, mas esperamos que o poder eleitoral estabeleça o quanto antes a data na qual elas serão convocadas", declarou Vieira na quinta-feira em Brasília. Lucena insistiu em um programa dominical da rede de TV privada Televen que o órgão responsável se encontra atualmente concentrado nos processos pré-eleitorais, entre eles as primárias que serão realizadas por governistas e opositores.

O CNE organizará para o dia 17 as primárias para que a coalizão opositora eleja seus candidatos para as eleições legislativas e para 28 de junho as prévias para o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

As eleições de outubro, novembro ou dezembro serão observadas por especialistas de "mais de 80 países" que confirmarão "se é nula a possibilidade de fraude eleitoral na Venezuela", apesar de haver "atores políticos que ao desacreditar o CNE creem que obtêm benefícios", disse Lucena. Ela acrescentou que haverá "missões de organismos eleitorais da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), da África, Ásia e Europa".

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"Aqui todos (governistas e opositores) têm ganhado ou perdido. Mas quando a oposição perde, argumenta que houve benefício eleitoral"
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"Aqui todos (governistas e opositores) têm ganhado ou perdido" nas eleições presidenciais, municipais, regionais e em outras que definem anualmente algum cargo", disse Lucena. "Mas quando a oposição perde, argumenta que houve benefício eleitoral", acrescentou a funcionária, acusada de ser pró-governo pelos opositores do bolivarianismo, lançado pelo presidente Hugo Chávez, morto em 2013, e mantido por seu sucessor, Nicolás Maduro.

Na sexta-feira, a coalizão opositora MUD rejeitou as acusações do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, de que há supostos planos para "cantar fraude" nas eleições legislativas.

Reconfiguração. Na semana passada, o CNE confirmou a reconfiguração dos distritos eleitorais do país na próxima eleição legislativa que diminui o número de deputados em regiões opositoras e aumenta as cadeiras em bastiões chavistas.

Mas, dentro do chavismo, a facção dissidente Marea Socialista ameaça lançar candidatos próprios na eleição, o que pode ameaçar o controle do presidente Maduro sobre o Parlamento.

O redesenho dos distritos, que favorece o chavismo, também foi adotado na eleição anterior, quando a MUD apostava que conseguiria tirar a maioria parlamentar do PSUV. A MUD criticou a alteração no cálculo do número de deputados por distrito a e acusou o CNE de falsificar os dados populacionais de maneira aberta para favorecer o chavismo nas eleições. / EFE

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