Venezuela não renova acordo militar com os EUA

O governo venezuelano informou nesta quarta-feira que, apesar de ter decidido não renovar o acordo militar com os EUA e ter ordenado a uma missão militar norte-americana que desocupe os escritórios onde estava instalada há quatro décadas, isto não implica no congelamento da tradicional cooperação entre Caracas e Washington. "O tempo torna algumas coisas anacrônicas, por isso não previmos a renovação de um acordo que, depois de estudado, acreditamos que não esteja mais em vigor", disse o ministro da Defesa, José Vicente Rangel, à cadeia noticiosa Unión Radio.Rangel indicou já ter entrado em contato com a embaixadora dos EUA em Caracas, Donna Hrinak, para informá-la de que o governo venezuelano não renovará o acordo militar datado de 1951 e acertado em meio à velhas tensões da Guerra Fria. "Muitos dos motivos e das circunstâncias que justificaram o acordo já não existem ou mudaram radicalmente", justificou Rangel em alusão ao valor estratégico que tinha a Venezuela como seguro e principal provedor de petróleo para os EUA em caso de um confronto entre as duas grandes potências da época, EUA e União Soviética (URSS). Uma década após do colapso da URSS, "esse acordo é uma peça de museu da Guerra Fria", insistiu o ministro. Ele não descartou, no entanto, que mo futuro possa ser "assinado um novo acordo em outras condições, porque o contexto nacional e internacional (agora) é diferente".Rangel esclareceu que a ausência de um acordo não rompe os laços militares existentes entre os dois países, nem impedirá que os EUA mantenham uma missão militar em Caracas. A desocupação dos escritórios da missão militar norte-americana no Forte Tiuna - a maior instalação militar do país e sede do ministério da Defesa - foi ordenada pelo governo no mês passado. O presidente Hugo Chávez tem criticado com freqüência o intervencionismo norte-americano e exortado a potência norte-americana a pôr fim ao embargo imposto a Cuba há quatro décadas. Ainda não ficou claro se a missão militar dos EUA continuará no país e, em caso de decidir continuar em Caracas, onde será instalada.

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