Venezuela nomeia junta interventora na PDVSA

Venezuela nomeia junta interventora na PDVSA

Comissão presidida por general chavista que já foi ministro de Maduro tenta combater contrabando e desvio de combustível em petrolífera estatal

CARACAS, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2014 | 02h03

O governo venezuelano designou ontem a comissão de intervenção que atuará na Petróleos de Venezuela (PDVSA), estatal que controla a produção petrolífera no país. Com o objetivo de combater o contrabando de combustível, a junta será liderada pelo general Wilmer Barrientos, ex-ministro das Indústrias do presidente Nicolás Maduro, que auxiliou em 1992 o então capitão Hugo Chávez em sua tentativa de golpe.

Estima-se que cerca de 150 mil barris de gasolina sejam contrabandeados diariamente da Venezuela para a Colômbia e os países caribenhos, em razão da enorme diferença de valor do produto no território venezuelano e no exterior. Com o preço subsidiado, o litro do combustível é vendido na Venezuela por US$ 0,02, enquanto o restante da América Latina paga, em média, US$ 1,29. Em agosto, Caracas afirmou que pretende aumentar o preço da gasolina.

Na opinião do economista José Toro Hardy, diretor da PDVSA entre 1995 e 1999 e crítico ao governo chavista, a nomeação de Barrientos para presidir a junta interventora na PDVSA "é excelente", pois indica que Caracas - "que vinha culpando o consumidor pelo contrabando" - admite que a corrupção interna na estatal pode estar alimentando esse crime.

"As cifras (verdadeiras de desvio de gasolina para o exterior) são obscuras. Mas é difícil de imaginar que esse enorme contrabando, se for esse o caso, é feito apenas por pessoas que levam pequenas quantidades de cada vez", disse Toro Hardy ao Estado, lembrando que, nas regiões próximas à fronteira da Venezuela com a Colômbia, chips instalados em veículos controlam quanto combustível entra nos tanques - e só permitem o abastecimento de veículos venezuelanos.

Para o economista, "faz sentido que alguém de fora" da PDVSA controle a comissão de intervenção e a fiscalização ocorra na Direção Geral de Mercado Nacional, que controla a distribuição de combustível na Venezuela. Na opinião de Toro Hardy, o suposto esquema de contrabando, em razão da quantidade de gasolina que movimentaria, teria de contar com a colaboração de funcionários da estatal petrolífera e de autoridades de fronteira.

"Temos indícios muito sérios da vinculação de grupos mafiosos com algumas instâncias do Estado", disse o vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza, no dia 11, ao anunciar a intervenção, de acordo com informações da Agência Venezuelana de Notícias (oficial). "Vamos persegui-los e castigá-los com o dobro da severidade com que se castiga normalmente."

Segundo o governo venezuelano, a intervenção terá como objetivo a "revisão, análise, avaliação e otimização das operações de recepção, armazenamento, despacho, distribuição de comercialização de combustíveis" e outros derivados de petróleo produzidos e distribuídos pela PDVSA.

A Agência Venezuelana de Notícias ressaltou que o recém-nomeado ministro de Petróleo e Mineração, Asdrúbal Chávez, primo de Hugo Chávez, afirmou via Twitter que também estará "à frente dessa missão para levar adiante uma revisão exaustiva" na PDVSA. / GUILHERME RUSSO

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