FEDERICO PARRA / AFP
FEDERICO PARRA / AFP

Venezuela pede que escolas protestem 'contra agressões'

Circular pede que escolas ponham cores da bandeira na porta e recolham assinaturas contra 'ingerência americana'

O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 09h28


CARACAS - Depois de conclamar os venezuelanos a se juntar às fileiras das Forças Armadas para a realização de um exercício militar contra “agressões” dos Estados Unidos no próximo sábado, o governo venezuelano pede que escolas se posicionem contra o decreto assinado por Barack Obama que considera a Venezuela uma ameaça à sua segurança interna.

De acordo com informações do jornal El Nacional, o Ministério da Educação venezuelano ordenou que direções regionais e municipais de educação efetuem nesta quinta-feira, 12, e na sexta-feira, 13, uma “jornada anti-imperialista”.

A atividade começaria com a colocação de um laço grande com as cores da bandeira venezuelana nas portas das escolas públicas e privadas, nesta quinta-feira, 12, para declará-las como parte do território venezuelano. A informação estava em circular dada a coordenações escolares do município de Simón Bolívar, no Estado de Miranda.

Já para sexta-feira, 13, o Ministério da Educação pede que sejam recolhidas assinaturas de alunos, professores e funcionários das instituições de educação contra a “ingerência americana” e com o fim de declarar os espaços educativos como “territórios de paz”.

“Cada instituição criará um formato para recolher as assinaturas, e cada folha deve contar a seguinte frase: 'Não somos uma ameaça, somos a esperança. Queremos viver e crescer em paz'”, diz o documento entre às escolas.

Lei habilitante. Na quarta-feira, 11, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou de madrugada, em primeira votação, a legislação que permitirá ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, governar por decreto para enfrentar o que ele qualifica como “ameaça dos EUA”. Logo depois, o líder chavista ordenou “um exercício militar defensivo” para que “ninguém toque” em seu país. As manobras da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) devem acontecer no sábado, 14.

No domingo, 15, o Legislativo venezuelano - de maioria governista - deverá aprovar em segunda votação a Lei Habilitante “anti-imperialista para a paz”, que vigorará por seis meses. “Fica aprovada por maioria qualificada em primeira votação a Lei Habilitante”, afirmou o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, o número 2 do chavismo.

Maduro afirmou que, na qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas venezuelanas, conduzirá pessoalmente os exercícios militares, pois a nação “tem de estar preparada, porque a Venezuela não é nem pode ser jamais a Líbia ou o Iraque”.

À Assembleia, Maduro declarou que precisa de “poder suficiente para defender a paz, a soberania e o desenvolvimento integral da Venezuela, diante da ameaça do governo dos EUA”. Na segunda-feira, Washington anunciou a ampliação de sanções contra autoridades e ex-integrantes do governo chavista. “A agressão e a ameaça do governo dos EUA é a maior que a Venezuela jamais recebeu e (isso) deve ser respondido com a unidade nacional”, disse Maduro, afirmando que “em todos os lugares onde os EUA ativou essa lei (de sanções contra funcionários de governos estrangeiros), entrou militarmente”./ EFE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.