Assessoria de imprensa do Palácio Miraflores / Jhonn Zerpa / AP
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Venezuela perde 20 toneladas de ouro após calote no Deutsche Bank

Empréstimo foi assinado em 2016 e deveria ser pago até 2021, mas o incumprimento no pagamento de juros fez a instituição liquidar o contrato de US$ 750 milhões com o regime de Nicolás Maduro.

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 16h35

CARACAS - O governo da Venezuela deu o calote em um acordo de empréstimo lastreado em ouro no valor de US$ 750 milhões  com o Deutsche Bank e perdeu cerca de 20 toneladas de ouros de suas reservas que tinha apresentado como garantia do negócio, segundo a Bloomberg. O empréstimo foi assinado em 2016 e deveria ser pago até 2021, mas o incumprimento no pagamento de juros fez a instituição liquidar o contrato com o regime de Nicolás Maduro

Em paralelo, advogados que representam o líder opositor Juan Guaidó pediram que o Deutsche Bank separe US$ 120 milhões correspondentes à variação positiva do preço do ouro no período em uma conta separada, fora do alcance de Maduro. Guaidó, autodeclarado presidente da Venezuela desde janeiro, acusa Maduro de usurpar o cargo e tenta anular o acesso chavista a financiamento no exterior. 

“Estamos em contato com o banco para negociar esses termos”, disse o advogado José Ignácio Hernández. “O Deutsche Bank não pode arriscar negociar com autoridades ilegítimas que foram sancionadas pelo governo americano.”

O Deutsche Bank não quis comentar o caso, nem o Banco Central da Venezuela. 

Foi a segunda vez em 2019 que Maduro deixou de honrar dívidas com instituições financeiras internacionais. Em março, o regime venezuelano deixou de honrar um empréstimo lastreado em ouro junto ao Citigroup no valor de US$ 1,1 bilhão. Ainda este ano, o Banco da Inglaterra se negou a devolver a Maduro depósitos em ouro no valor de US$ 1,2 bilhão. 

Apesar de o regime chavista estar  cada vez mais sem acesso a financiamento internacional em virtude de sanções,  a Venezuela conseguiu no mês passado US$ 570 milhões com venda de ouro. Com isso, as reservas internacionais do país – hoje já quase sem dólares e praticamente reduzidas ao metal precioso – caíram para US$ 7, 9 bilhões, o menor índice em 29 anos. 

 

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