Rodrigo Cavalheiro / Estadão
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Venezuela perde professora e futuro médico

Jennifer Escalante se diz cansada de ver estudantes desmaiarem de fome; seu filho, Anthony Florez terminou o ensino médio e quer estudar medicina

Rodrigo Cavalheiro, enviado especial / Caracas, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2018 | 20h00

CARACAS - Jennifer Escalante e Anthony Florez começaram a chorar assim que o ônibus da empresa Flamingo saiu de Caracas com destino a San Cristóbal. Mãe e filho deixaram a casa da família com parentes, reuniram o que puderam em duas malas e embarcaram na viagem por terra para a Colômbia, de onde o pai do jovem de 18 anos manda ajuda há 2 anos. Ambos já não conseguiam sobreviver com os US$ 12 por semana de auxílio. A casa da família ficará com os pais dela. “Eu não tinha mais como ajudá-los. Agora serão duas bocas a menos”, diz Jennifer.

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Professora de escola primária do ensino público, Jennifer se diz cansada de ver estudantes desmaiarem de fome. “As mães preferem colocar os filhos para dormir de madrugada e deixá-los dormir até tarde, para dar uma refeição a menos”, afirma. Questionado sobre a falta dos amigos, Anthony pondera que a crise já o impedia de ver os seus. “Não temos carro e o transporte coletivo deixou de funcionar. Então, já não encontrava mais ninguém mesmo.” 

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Cruzar o país em ônibus era a única alternativa para eles. Uma passagem de avião para Bogotá custa pelo menos US$ 200. A de ônibus até a fronteira vale US$ 1,50. De Cúcuta, o transporte em outro ônibus para Bogotá custa US$ 35. A passagem de avião sai por US$ 90. Mãe e filho decidiram se mudar agora também porque Anthony terminou o ensino médio e quer estudar medicina. Era hora de escolher onde. Na Venezuela, a mensalidade custa US$ 12 e ainda assim faltam alunos capazes de pagar a quantia, equivalente a 4 salários mínimos. Na Colômbia, o semestre pode ficar em US$ 2.100. 

O governo colombiano estima que 1 milhão de venezuelanos tenham passado a viver na Colômbia, mas outros 700 mil só atravessaram o país rumo a Equador, Peru e Chile. Segundo María Clara Robayo, analista do observatório de Venezuela da Universidade do Rosário, da Colômbia, houve uma mudança de perfil na imigração desde 2015, quando a fronteira entre os dois países foi reaberta após um ano bloqueada. “Antes disso já havia migração para a Colômbia, mas de venezuelanos com alto grau de instrução. Desde 2015 passaram a vir os mais pobres. Com o resultado da reeleição de Nicolás Maduro, o fluxo, em todas classes sociais, deve aumentar muito”, prevê.

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