Venezuela pode vender caças americanos ao Irã

As forças armadas venezuelanas estão considerando a possibilidade de vender seus caças americanos F-16 a outro país, possivelmente o Irã, em resposta à proibição da venda de armas americanas à Caracas. A informação foi confirmada por um alto oficial militar do país nesta terça-feira.O general Alberto Muller, um importante interlocutor de Chávez, disse ter recomendado ao ministério da Defesa a venda de 21 jatos a outro país.Segundo Muller, valeria a pena considerar a "possibilidade de uma negociação com o Irã pela venda destes aviões".Antes mesmo de os Estados Unidos anunciarem o embargo a venda de armas à Venezuela nesta segunda-feira, Washington havia parado de comercializar importantes atualizações tecnológicas dos F-16.Chávez já tinha alertado que poderia dividir os jatos americanos com Cuba e China se os EUA não fornecessem partes dos aviões. Ele também informou que cogita comprar caças russos e chineses.Segundo Muller, funcionários do alto escalão militar consideram a troca dos F-16s pelos caças russos Skhoi Su-35, "que é o melhor jato de combate produzido no mundo atualmente".ContratoOs militares americanos, por sua vez, responderam que um contrato estabelecido entre os dois países em 1982 obriga uma consulta a Washington antes da transferência de qualquer F-16para outros países."A recomendação que eu fiz ao ministério, e que farei ao presidente no tempo adequado, é vender os F-16s a um terceiro país, pois se eles (Washington) não estão cumprindo com a parte que lhes cabe do acordo, nós não temos a obrigação de cumprir com a nossa", alfinetou Muller.Durante o anúncio do cancelamento das vendas aos venezuelanos, nesta segunda-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos alegou que um dos motivos da medida é a relação de proximidade entre Venezuela, Cuba e Irã. Para a Casa Branca, os dois últimos são países que apóiam o terrorismo.Caracas comprou os caças americanos em 1983. Até o Chile adquirir aeronaves semelhantes em 2003, a Venezuela era o único país americano - fora os EUA - a possuir os caças produzidos pela Lockheed Martin Corp.Chávez também acusou os Estados Unidos por quebra de contrato.Segundo os militares americanos, no entanto, o acordo de 1983 não previa a reposição de peças indefinidamente nem a atualização tecnológica dos jatos à Venezuela.Ataque A Venezuela também insistiu nesta terça-feira que os Estados Unidos "pretendem desestabilizar" o Governo do presidente Hugo Chávez e assegurou que a decisão de proibir as empresas americanas de vender-lhe armas é uma preparação das "condições políticas para o ataque"."O cerne do problema não é a luta contra o terrorismo", indicou o ministério de Relações Exteriores em um comunicado mas sim "isolar" o país, "desestabilizar seu governo democrático e preparar as condições políticas para o ataque"."Nosso país estende sua mão amiga ao povo americano, mas não duvidará em cerrar o punho para responder à agressão, tanto a verbal como a material, que um governo imoral empreenda e à natureza agressiva como a que atualmente rege seu destino", acrescentou o comunicado oficial de Caracas.

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