REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/Arquivo
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/Arquivo

Venezuela possui 5 mil mísseis russos terra-ar, segundo documento militar

De acordo com apresentação obtida pela 'Reuters', Caracas tem o maior estoque conhecido de armamento do tipo MANPADS na América Latina; crise no país alimenta temores de que armas possam cair em mãos erradas

O Estado de S.Paulo

22 Maio 2017 | 11h11

CARACAS - A Venezuela possui 5 mil mísseis terra-ar do tipo MANPADS fabricados na Rússia, de acordo com um documento militar analisado pela agência Reuters, o maior estoque conhecido na América Latina, e uma fonte de preocupação para as autoridades dos Estados Unidos em um momento de tumulto crescente no país caribenho.

O governo chavista da Venezuela usa há tempos a ameaça de uma invasão "imperialista" dos EUA para justificar um reforço no armamento. Grande parte do arsenal foi obtido da Rússia pelo falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, cujo período no poder durou de 1999 até sua morte em 2013.

Os mísseis, que podem ser operados por uma única pessoa já que são lançados apoiados no ombro, representam uma ameaça séria a aeronaves comerciais e militares. Especialistas em armamento dizem que há tempos se teme que as armas possam ser roubadas, vendidas ou de alguma maneira direcionadas a mãos erradas, uma preocupação exacerbada pelos confrontos civis em curso na Venezuela e pela crise econômica que abala a nação produtora de petróleo.

De acordo com uma apresentação militar venezuelana testemunhada pela Reuters, o país sul-americano tem 5 mil mísseis SA-24 do tipo sistema de defesa aérea de uso portátil (MANPADS, na sigla em inglês), também conhecidos como Igla-S.

O documento visto pela agência oferece o relato mais completo até o momento do arsenal de armas de Caracas. Registros públicos de armas confirmam o grosso dos números vistos na apresentação militar.

Cobiçado por insurgentes. Usado pela primeira vez pelos EUA e pela ex-URSS nos anos 1960, os mísseis terra-ar lançados apoiados no ombro se tornaram muito populares entre os grupos insurgentes no mundo em razão de sua portabilidade, efetividade e relativa facilidade de operação.

Há muitos anos os EUA tem redobrados seus esforços para que as reservas de MANPADS em regiões instáveis sejam destruídas para evitar que o armamento caia nas mãos de grupos militantes. Alguns mísseis deste tipo desaparecidos na Líbia, após a morte de Muammar Kadafi em 2011, por exemplo, e teriam chegado a outras partes do Oriente Médio.

O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, Mike Pompeo, expressou preocupação em razão dos mísseis venezuelanos em uma audiência no Senado no começo deste mês, apesar de ele dizer que não tinha evidências de que o país caribenho estivesse enviando o armamento para outros lugares.

"Este é um risco incrivelmente real e sério... Para as América do Sul e Central além de para a própria Venezuela", disse Pompeo. "A situação no país continua piorando. (O presidente venezuelano Nicolás) Maduro fica mais desesperado a cada hora."

Políticos conservadores dos EUA, como o republicano Marco Rubio, acusam Caracas há muito tempo de colaborar com organizações militantes ao redor do globo, incluindo os xiitas libaneses do Hezbollah e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O governo venezuelano, no entanto, refuta tais alegações, qualificadas como mentiras, que seriam usadas para justificar agressões estrangeiras em potencial. Alguns especialistas em inteligência concordam que as acusações são exageradas.

Um ex-general e ex-ministro do governo chavista ouvido de forma anônima pela Reuters disse que os mísseis MANPADS são armazenados pelo governo na região costeira do país em razão dos temores de um ataque americano. Ele afirmou ainda que o país teria cerca de 1,5 mil lançadores, que são fundamentais para o uso dos mísseis.

O governo da Venezuela e autoridades militares não responderam a pedidos de comentário sobre as informações como a localização e a quantidade de armas em seu arsenal. / REUTERS

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