EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Venezuela prendeu 14 militares durante a primeira semana de protestos

Documentos obtidos pela agência de notícias ‘Reuters’ dizem que oficiais foram detidos por suspeita de ‘rebelião’ e ‘traição’

O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 11h43

CARACAS - As forças de segurança da Venezuela prenderam ao menos 14 oficiais do Exército por suspeita de "rebelião" e "traição" na primeira semana dos protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro no início de abril, de acordo com documentos militares obtidos pela agência de notícias Reuters.

Os militares, entre eles coronéis e capitães, estão detidos na prisão de Ramo Verde, nas colinas dos arredores de Caracas, de acordo com uma lista que circula entre eles. Os documentos afirmam que os casos estão sendo "processados", e não ficou claro se os oficiais foram acusados formalmente.

As listas surgiram depois de alegações de líderes da oposição venezuelana de que existe um expurgo em curso entre os militares para evitar a dissidência em razão da maneira como estão sendo tratadas as manifestações em massa contra o governo desde o início de abril.

Os documentos vistos pela Reuters só cobriam o período até 8 de abril, data após a qual líderes opositores e ativistas de direitos humanos dizem que muitos outros soldados foram detidos.

A Guarda Nacional, uma unidade militar, está na linha de frente do policiamento dos protestos, e faz uso de gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha para deter os jovens mascarados que atiram pedras, coquetéis molotov e bombas de excremento contra as forças de segurança.

Ao menos 65 pessoas já morreram e, entre elas, estão apoiadores do governo e da oposição, pedestres e membros das forças de segurança.

Os líderes opositores dizem haver uma inquietação crescente entre os militares em razão do uso da força contra os manifestantes, que exigem eleições gerais, ajuda humanitária do exterior e a libertação de ativistas presos no país.

Publicamente, os militares de alta patente apoiam a acusação de Maduro de que uma "insurreição armada" está sendo preparada por conspiradores violentos que almejam dar um golpe com apoio dos EUA. Contudo, de forma privada, membros da Guarda Nacional têm se queixado de exaustão e desilusão, e alguns soldados foram a público manifestar seu descontentamento.

Três tenentes fugiram para a Colômbia e pediram asilo em maio, levando Caracas a exigir sua extradição para que sejam acusados de planejar um golpe.

Na semana passada, a mídia opositora publicou um suposto vídeo de um sargento da Marinha que expressava sua discórdia e exortava os colegas a desobedecerem superiores "abusivos" e "corruptos". "Rejeito o senhor Nicolás Maduro Moros como presidente ilegítimo e me recuso a reconhecer seu regime e governo ditatorial", disse Giomar Flores no vídeo de sete minutos.

A Reuters não conseguiu confirmar seu caso ou paradeiro. O Ministério da Informação e as Forças Armadas não responderam a pedidos de informações. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.