EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Venezuela prendeu 77 crianças na repressão das manifestações anti-Maduro

Porta-voz da ONU para Direitos Humanos diz que ao menos 850 pessoas - incluindo até um menor de 12 anos - foram detidas nos protestos contra o presidente bolivariano, que também deixaram 40 mortos

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2019 | 09h02

GENEBRA - Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 29, o porta-voz da ONU para Direitos Humanos, Rupert Colville, informou que 77 menores foram detidos nos últimos dias durante a repressão do governo de Nicolás Maduro aos protestos da oposição - entre os casos há até o de uma criança de 12 anos. 

Segundo a ONU, mais de 850 pessoas foram colocadas em prisões pelo país no que seria o maior número de detenções em 20 anos na Venezuela. A organização também informou que o número de mortos nas manifestações chega a 40.

Dessas vítimas, 26 delas foram alvos das forças de segurança do governo. A maioria das mortes ocorreu entre os dias 22 e 25 de janeiro. Cinco delas foram registradas depois de operações do regime em bairros da periferia de Caracas. 

Colville também indicou que onze mortes foram causadas por pessoas não identificadas, além do assassinato de um membro da Guarda Nacional.  

Recorde de prisões

Apenas em um dia, na quarta-feira, o dia do principal protesto contra Maduro, 696 pessoas foram detidas por se manifestarem contra o líder chavista. A entidade avalia suspeitas de que parte desses prisioneiros tenham sido alvo de violações de direitos humanos. 

Para Entender

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Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos.

A ONU ainda comentou a nova onda de sanções aplicadas pelos EUA contra o regime de Maduro. Para a entidade, existe o risco de que as medidas possam tornar a situação da população ainda mais dramática.

Também está em avaliação a possibilidade de que a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, faça uma viagem até Caracas. 

No ano passado, o governo Maduro fez o convite para que a ex-presidente chilena fosse até o país. Agora, é a vez do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, pedir a presença da representante da ONU no país.

Sua ida, porém, ainda não está acertada, já que seu escritório quer garantias de que ela tenha acesso livre à sociedade civil e ONGs locais.

 

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