EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Venezuela pressiona funcionários públicos com ameaças de demissão para que votem na Constituinte

Pressão é feita por meio de mensagens de texto, comunicados internos nas empresas e vídeos; Parlamento pede que comunidade internacional não reconheça o resultado da votação

O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 19h05

CARACAS - Funcionários públicos na Venezuela têm recebido ligações, pressão de seus chefes e ameaças de demissão para assegurar seus votos na eleição de domingo, que elegerá os membros da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

Com pesquisas que mostram rejeição de 70% à Assembleia, o governo quer evitar uma participação vergonhosamente baixa na eleição, boicotada pela oposição.

A pressão sobre os funcionários públicos é maior do que nunca, segundo entrevistas com trabalhadores de dezenas de instituições que vão desde a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) ao metrô de Caracas, e é feita por meio de mensagens de texto, comunicados internos e vídeos.

"Qualquer diretor, superintendente e supervisor que tente bloquear a Assembleia Constituinte, que não vote, ou que tenha funcionários que não votem, deve deixar seu posto de trabalho na segunda-feira", disse o vice-presidente da PDVSA, Nelson Ferrer, em uma reunião com trabalhadores nesta semana, segundo um resumo do encontro que circula pela empresa.

Em um vídeo de um comício político realizado na PDVSA, um representante de uma empresa não identificada, vestido com uma camiseta vermelha, grita em um microfone que os empregados que não votarem serão despedidos. "Nós não estamos brincando", grita ele.

É difícil estimar quantos dos 2,8 milhões de funcionários públicos votarão, mas grande parte dos entrevistados disse que a maioria deles provavelmente vai votar, seja por lealdade ou por medo.

Alguns venezuelanos também disseram que agentes do Partido Socialista ameaçaram deixar de distribuir cestas de alimentos subsidiados a quem não votar. "Vi muita gente chorando pela impotência de não saber o que fazer. Há muito medo", disse um funcionário da PDVSA, que não quis se identificar por temer represálias.

O Ministério de Informação da Venezuela não respondeu a um pedido de comentário. A PDVSA também não falou sobre as acusações.

O líder chavista quer avançar com seu plano de criar a poderosa Assembleia mesmo após quatro meses de protestos no país, que é rico em petróleo, mas tem sofrido com escassez de alimentos e medicamentos, uma inflação galopante e forte criminalidade.

Maduro disse que a Assembleia Constituinte, com 545 assentos, terá poder para dissolver poderes públicos, superará a "insurreição armada" e levará paz à Venezuela, enquanto seus opositores dizem que ele busca construir uma ditadura.

Oposição

O Parlamento venezuelano, de maioria opositora, pediu à comunidade internacional que não reconheça o resultado da eleição da Assembleia Constituinte.

O presidente da Comissão de Política Exterior da Assembleia Nacional, Luis Florido, informou neste sábado, 29, sobre um comunicado formal que foi enviado "a todas as Chancelarias do mundo" com tal solicitação, segundo uma nota do político opositor e dirigente do partido Voluntad Popular (VP).

O documento pede aos governos que, caso seja instalada a Constituinte, "tomem ações em apoio ao povo venezuelano". "Chegou a hora de a comunidade internacional dar seu apoio decidido, sincero, franco para que este processo não possa se concretizar", disse Florido.

O opositor também lembrou que os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, EUA, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru pediram formalmente a suspensão da Constituinte e o estabelecimento de um processo de negociação política para solucionar a crise. / REUTERS e EFE

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