Venezuela quer banir dólares de transações

Caracas pretende anular controle americano sobre operações internacionais e teme que reservas sejam congeladas

Reuters, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

A proposta de redistribuição de reservas internacionais da Venezuela feita pelo Banco Central e o Ministério das Finanças do país - que o presidente Hugo Chávez confirmou ter recebido, na quarta-feira - recomenda que o governo de Caracas deixe de utilizar o dólar em suas operações, informou ontem o jornal venezuelano El Universal. A intenção é evitar o controle do Federal Reserve (FED, o banco central dos EUA) sobre os valores.

As medidas de redistribuição dos fundos venezuelanos incluem a transferência de US$ 6,3 bilhões que Caracas mantém nos EUA para bancos russos, chineses e brasileiros; além da repatriação de 211 toneladas de ouro - avaliadas em US$ 11 bilhões - que a Venezuela possui na Europa para os cofres do Banco Central venezuelano. A nacionalização da produção do mineral também está nos planos do governo Chávez.

Para a oposição, a intenção do chavismo seria financiar a campanha de reeleição do presidente, vendendo o ouro repatriado antes da votação prevista para o fim de 2012. "Liquidem todo o ouro e comecem a vendê-lo, pois a única coisa que vocês (chavistas) sabem fazer é roubar!", disse o deputado opositor Miguel Ángel Rodríguez, ao ministro das Finanças venezuelano, Jorge Giordani. "É bom que fique demonstrada a ignorância desta oposição", tuitou Chávez, em resposta às críticas. O presidente afirma que países "hostis" podem se apoderar das reservas internacionais venezuelanas.

Segundo o Universal, o governo de Caracas quer acabar com as operações em dólar por temer que o FED congele os dólares que a Venezuela possui para pagamento da dívida externa e importações. Chávez disse temer que países "hostis" congelem fundos venezuelanos, citando como exemplo o que já foi feito com bens relacionados ao ditador líbio, Muamar Kadafi.

A Standard and Poor"s rebaixou a classificação da dívida venezuelana. "Mudanças arbitrárias de leis, preços e controles de capitais, além de outras medidas econômicas imprevisíveis e distorcidas, minaram os investimentos do setor privado e afetaram a produtividade - enfraquecendo a economia da Venezuela", disse a entidade.

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