Venezuela quer comprar equipamento militar do Brasil

A Venezuela poderá comprar equipamentos militares do Brasil para proteger suas fronteiras, principalmente com a Colômbia. A AE apurou que, na quarta-feira, representantes do governo de Hugo Chávez se reuniram com oficiais do Ministério da Defesa na sede da ONU em Genebra. O governo se comprometeu a procurar empresas brasileiras que possam vender os equipamentos pedidos por Caracas e enviarão respostas nas próximas semanas. A Venezuela é um dos países que ainda mantêm minas terrestres em alguns pontos de sua fronteira. Mas como assinou um tratado internacional nos anos 90 obrigado que essas armas sejam retiradas, está em busca de um novo mecanismo para garantir a proteção de suas fronteiras. Segundo informou um diplomata venezuelano à AE, as opções seriam sistemas de alarme que possam ser colocados ao ar livre, como laser, sistemas de monitoramento ou raios infravermelhos que possam detectar movimento. Um orçamento para a compra, porém, ainda não teria sido informado ao Brasil. O governo do Canadá vem propondo a venda de sistemas parecidos. Mas os venezuelanos confessaram aos representantes brasileiros que não querem comprar equipamentos de países aliados aos Estados Unidos e prefeririam um entendimento com o Brasil ou outro país. Segundo Caracas, reuniões ainda ocorrerão com um país europeu e com a China para analisar outros mecanismos de controle das fronteiras. De acordo com militares do Ministério da Defesa, a reunião com a Venezuela nesta semana teve caráter "puramente comercial". A Venezuela espalhou cerca de mil minas terrestres em seis pontos da fronteira entre 1995 e 1997, depois que bases militares suas foram atacadas por guerrilhas colombianas em território venezuelano. "Depois disso decidimos nos proteger mais nessa região", explicou um diplomata de Caracas. As minas estão espalhadas nas localidades de Atabapo, Cararabo, Guafitas, Isla Vapor, Puerto Páez e Río Arauca Internacional. Essas, portanto, seriam as localidades que receberiam o novo sistema de alarme. Desde 1999, porém, Caracas promete que iniciará um plano para retirar essas minas, o que até agora não ocorreu. "Estamos preocupados com a Venezuela. Porque é que até agora não fizeram nada em sete anos", questiona Stuart Maflen, da entidade Campanha Internacional para Banir Minas. A previsão inicial dos venezuelanos era de retirar as minas a partir de 2002. Mas a entidade responsável por monitorar o fim dessas armas conta que a cada ano o governo utiliza um argumento para explicar porque nada é feito. Em 2003, a justificativa era de que o país não tinha equipamentos especializados para retirar as minas do solo. No ano passado, a justificativa era de que precisavam substituir as minas por outro sistema de proteção de fronteiras. Neste ano, o problema seria a falta de treinamento dos militares. Outro problema é que, nos últimos dois anos, a Venezuela não deu informações sobre quantas minas estariam armazenadas. A única confirmação é de que treinamentos com militares foram feitos sobre como espalhar minas. Caracas garante que o treinamento foi apenas "de rotina".

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