Venezuela quer melhorar relações com os EUA

Chávez diz que Lula o encorajou a se aproximar de Obama

Lourival Sant?Anna, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2009 | 00h00

O presidente Hugo Chávez afirma estar disposto a melhorar as relações com os EUA no governo de Barack Obama. Em entrevista coletiva no sábado à tarde, Chávez contou ter sido encorajado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se aproximar de Obama. "Lula dizia com muita razão: ?Chávez, temos de falar com Obama, antes que a máquina o engula?", disse, lembrando encontro que teve com o presidente brasileiro em janeiro em Maracaibo, noroeste da Venezuela."Temos a melhor vontade para pelo menos retornar ao nível de relações que tivemos com o governo de Bill Clinton", disse Chávez. "As relações não eram fáceis, mas eram mais cordiais. Havia diálogo. Respeitavam-nos. Não era como o governo anterior (de George W. Bush), que fez sabotagens contra nós, que apoiou o golpe e protegeu terroristas", acrescentou, referindo-se aos militares venezuelanos, exilados nos EUA, que participaram da tentativa de golpe contra ele em abril de 2002 e ao pedido de extradição - não concedida pelos EUA - de Luis Posada Carriles, acusado de um atentado contra um avião cubano em 1973, que matou 73 pessoas.O presidente respondia a uma pergunta sobre se a Cúpula das Américas, que se realizará em abril em Trinidad Tobago, será uma boa oportunidade para aproximar-se de Obama. "Qualquer dia pode ser uma oportunidade", disse Chávez. "Não deveríamos sequer esperar esse encontro. Só pedimos respeito a nosso país, a nossa Constituição, a nossas leis, ao nosso governo e ao nosso povo." Recordando a frase de Lula, no entanto, Chávez acrescentou que "a máquina começou a lançar dardos contra a Venezuela", referindo-se a um relatório da inteligência americana recém-divulgado que afirma que o presidente venezuelano continua vinculado à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Esse informe diz o mesmo que diziam Bush e seus sequazes", observou Chávez. "Tomara que Obama não comece a se parecer com Bush. É um grande erro que comete Obama. Porque não se trata da pessoa, mas do sistema.""Mas saudamos suas boas intenções com os povos da América Latina", continuou Chávez. "Até agora, não há nenhuma mudança de enfoque em relação à América Latina."Chávez defendeu suas relações com o Irã, lembrando a transferência de tecnologia iraniana na exploração de petróleo, na industrialização de milho e na montagem de fábricas de tratores e do que ele chamou de "bicicletas atômicas", ironizando o programa nuclear iraniano. Ele exaltou também um acordo firmado com uma empresa da Bielo-Rússia para a instalação de uma fábrica de tratores e caminhões de grande porte. O presidente venezuelano disse que o Brasil também está "ajudando muito com a tecnologia", referindo-se à refinaria binacional de petróleo em construção em Pernambuco, a uma siderúrgica no Estado de Bolívar e a projetos agrários como o que Lula visitou em Maracaibo. Na ocasião, o presidente brasileiro apoiou a proposta de Chávez de permitir a reeleição ilimitada.

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