Venezuela quer rediscutir início da Alca

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que não vai assinar a Declaração de Quebec enquanto não discutir melhor a data do início de entrada em vigor da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), definida para dezembro de 2005, pelos ministros de Comércio e de Relações Exteriores de 34 países da região, em Buenos Aires, no início deste mês. Chávez, que vai se reunir às 11h30 (12h30 de Brasília) com o presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou que os ministros de Estado não têm poderes para tomar decisões finais. ?O que eles fazem é discutir, deliberar e recomendar, mas são os presidentes que vão decidir o futuro da Alca, aqui em Quebec?, afirmou.De acordo com o presidente venezuelano, os ministros deram um passo importante em Buenos Aires, derrubando a proposta de antecipar a Alca para 2003. ?Era um absurdo. Por isso, fui imediatamente a Brasília para fechar posição com o presidente Fernando Henrique?, explicou Chávez, na noite de quinta-feira, ao chegar ao hotel onde a delegação venezuelana está hospedada.Chávez afirmou, entretanto, que o mais importante não é a data de entrada em vigor da Alca, mas a qualidade dos acordos e a profundidade dos compromissos. O presidente da Venezuela enumerou uma série de problemas e desigualdades que existem entre o Norte e o Sul, para sustentar o seu descontentamento com o pré-acordo ministerial. ?Temos 250 milhões de pobres, dos quais 90 milhões de pessoas estão na pobreza marginal; o desemprego médio na região é de 10%; a dívida externa dos países consomem grande parte dos ingressos e os 5% mais ricos detém mais de 10% da riqueza?, afirmou.Para ele, esses temas também precisam ser discutidos. ?A integração tem de ser gradual, justa e equilibrada para que a Alca tenha sucesso?, afirmou. Chávez repetiu diversas vezes que antes de assinar a Declaração de Quebec, quer deliberar a discutir sobre essas diferenças existentes entre o Norte e o Sul. ?Às vezes, nós presidentes andamos ?de cumbre em cumbre? (de cume em cume, outra conotação, além de cúpula), e os povos de abismos em abismos. Por isso, não podemos esquecer o conteúdo social dos acordos?, afirmou Chávez.

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