EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Venezuela reajusta preços tabelados em mais de 1.000%

Governo venezuelano promove aumento da farinha de milho - uma das bases da alimentação da população -, do frango e da ração para animais; medida reduz de forma drástica o poder de compra de produtos da cesta básica no país

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2016 | 20h07

CARACAS - O governo do presidente Nicolás Maduro aumentou nesta terça-feira, 24, o preço de pelo menos três produtos básicos da dieta dos venezuelanos, em um reajuste de valores tabelados que deve afetar ainda mais a inflação no país, que neste ano deve chegar a 720%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Além da farinha de milho - principal ingrediente da arepa, o prato mais popular do país - e do frango, subiu também o preço da ração para animais e alguns produtos de higiene. 

De acordo com portaria da Superintendência Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos (Sundde, órgão responsável pelo controle de preços), a farinha de milho branca subiu 1000%: de 19 para 190 bolívares. O produto é um dos mais escassos nos mercados formais e informais do país. O quilo do frango - uma das fontes de proteína mais baratas para a população - subiu 1.208%: de 65 bolívares para 850.

Empresas privadas acusam o presidente Nicolás Maduro de propositalmente cortar o acesso dos produtores a dólares para importação em virtude das pequenas reservas em moeda forte do país, quase na totalidade destinadas a pagar a dívida externa venezuelana. O governo diz que os produtores deixam de fabricar alimentos e remédios de propósito para derrubar Maduro - a chamada “guerra econômica”.

Como há poucos dólares à disposição desde 2013 e o país importa a maior parte do que produz, a inflação disparou exponencialmente, uma vez que a oferta de bens diminuiu drasticamente. Paralelamente a isso, o governo passou a financiar seu déficit fiscal imprimindo dinheiro sem lastro, o que também contribui para a espiral inflacionária. 

Para tentar contornar a questão da inflação, o governo chavista adota uma prática de congelamento de preços de itens essenciais, entre os quais alimentos, remédios e produtos de higiene. Como, inexoravelmente, os preços acabam defasados pelo aumento da inflação, eles têm de ser reajustados periodicamente. 

Os salários também passam por reajustes concedidos pelo chavismo, mas como o governo não divulga nenhum dado macroeconômico com frequência, é difícil saber ao certo se esse aumento é suficiente para acompanhar as perdas infligidas pela inflação. 

O último aumento, concedido em maio, foi de 30%. Com ele, o salário mínimo subiu para 15.051 bolívares. Na prática, o aumento de ontem, diminui drasticamente o poder de compra da cesta básica, que em entre abril de 2015 e abril deste ano subiu 718%, segundo estimativa da Federação Venezuelana de Professores. 

Pobreza. Em um estudo paralelo, divulgado ontem, a ONG Provea afirmou que a pobreza estrutural na Venezuela passou de 21,3% em 2014 para 29,1% em 2015, um aumento de quase 8 pontos porcentuais, provocado pelo agravamento da inflação, deterioração de serviços básicos e condições de moradias da população mais carente.

 

Ainda de acordo com o estudo, pela primeira vez o porcentual de miseráveis superou o de pobres no país. No geral, os níveis de pobreza cresceram 75% ao longo de 2015.

A ONG informou ainda que as contrações dos direitos sociais dos venezuelanos desde o início de 2013 já superou as perdas provocadas pela crise econômica de 1980, quando o país implementou reformas neoliberais. “A gestão de Maduro impôs um novo recorde inflacionário”, diz o texto. / EFE

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