Venezuela reforça segurança após ameaça da Al-Qaeda

O ministro venezuelano da Defesa, general Raúl Baduel, afirmou nesta quinta-feira que o país reforçará, com medidas extraordinárias, a segurança devido à ameaça feita por uma facção do grupo terrorista Al Qaeda na Arábia Saudita contra todos os países que vendem petróleo aos Estados Unidos. Segundo Baduel, agências de segurança e inteligência venezuelanas irão "adotar as ações e implementar os planos de segurança previamente estabelecidos, e reforçá-los com o objetivo de garantir a segurança." O general pediu calma à população e disse que o presidente Hugo Chávez dará novas instruções sobre como lidar com a ameaça.Em um vídeo divulgado no site da ala saudita da Al-Qaeda, o grupo exorta extremistas islâmicos a promoverem ataques em países que vendam petróleo aos Estados Unidos, citando nominalmente Venezuela, Canadá e México. Apesar das tensões diplomáticas entre os governos de George W.Bush e Hugo Chávez, a Venezuela fornece cerca de 11% do petróleo importado pelos EUA. Ameaça questionada Luis Cabrera, assessor militar do presidente, questionou a autenticidade da ameaça, segundo a imprensa local. Ele considerou ilógico que a Al-Qaeda, "que é contra o imperialismo norte-americano, vá contra um Estado que está lutando, ainda que de forma diferente, contra essa hegemonia." Por sua vez, o presidente da Comissão de Política Externa da Assembléia Nacional, Saúl Ortega, culpou os Estados Unidos pela ameaça, afirmando que se trata de uma "estratégia terrorista", salientando ser "muito suspeita" a forma como se difundiu o anúncio.O congressista insistiu que "não foi a Al-Qaeda" que divulgou a informação, "mas um organismo da CIA que faz uma tradução de uma TV a cabo ou um site na internet da Al-Qaeda". Segundo ele, tal ameaça faria parte de uma política dos Estados Unidos de "preparar o terreno" para ações no estilo terrorista na Venezuela.O artigo em questão, publicado na revista online Sawt al-Jihad ("Voz da Guerra Santa"), afirma: "A longo prazo, os Estados Unidos poderiam reduzir sua dependência do petróleo do Oriente Médio e poderão satisfazer suas necessidades com o produto oriundo de Canadá, México, Venezuela e outros clientes novos ou duplicará sua dependência em fontes de energia alternativas; por isso, os interesses petrolíferos de todas as regiões que servem aos Estados Unidos, e não apenas no Oriente Médio, devem sofrer ataques".

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