Venezuela registra 39 homicídios por dia

Jornal anuncia 4.680 assassinatos de janeiro a abril; dados indicam aumento com relação a 2013, mas ONGs dizem que situação é muito pior

Reuters, AFP e EFE, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2014 | 02h03

CARACAS - Segundo dados da polícia científica coletados pelo jornal El Universal, a Venezuela teve 4.680 homicídios entre janeiro e abril. Projetados para os 12 meses de 2014, os dados apontam para 14.040 homicídios no ano. Se confrontadas com os dados oficiais, do ano passado, as cifras representam um aumento de 39 homicídios por cada 100 mil habitantes, em 2013, para 48,5 por cada 100 mil habitantes, se a tendência se mantiver.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como o Observatório Venezuelano de Violência, no entanto, afirmam que a situação da criminalidade no país é muito mais grave. Na verdade, a Venezuela teria tido 25 mil mortes em 2013. O número corresponderia a 79 homicídios por cada 100 mil habitantes.

Há oito dias, o ex-chefe de inteligência e conhecido amigo do presidente Hugo Chávez, morto no ano passado, foi torturado e assassinado com violência em Caracas. Maduro disse que o assassinato de Eliécer Otaiza, presidente da Câmara de Vereadores de Libertador, principal município da área metropolitana de Caracas, teria sido um atentado promovido por "pessoas que estiveram no poder no passado e hoje estão em Miami, nos EUA".

Vários jornais venezuelanos disseram, porém, que os supostos assassinos de Otaiza pertenceriam a um grupo de 10 a 15 assaltantes que atuam na região onde ele foi morto, em uma aparente tentativa de assalto.

Na madrugada de ontem, um agente que fazia a escolta presidencial foi morto em uma rodovia da capital. O tenente Marco Cortez, de 29 anos, foi assassinado quando desconhecidos perseguiram seu carro e atiraram contra ele, segundo informou o Ministério Público.

Os casos se somam a outros que comoveram o país, como o da ex-miss Mónica Spear. Ela e o marido Thomas Berry foram baleados dentro do automóvel, no interior da Venezuela, na frente da filha, de 5 anos, que sobreviveu ao ataque, no início do ano.

Improvisação. Desde então, o governo tem prometido planos para reforçar a segurança, como aumentar a patrulha nos municípios mais violentos. Até lá, os venezuelanos têm enfrentado a violência modificando suas rotinas e hábitos, reduzindo as saídas noturnas, evitando o uso de objetos caros, como roupas de marca e celulares em lugares públicos.

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