Venezuela retoma distribuição de combustível

Depois de o Tribunal Superior de Justiça da Venezuela ter imposto a primeira derrota à oposição, ao determinar que os trabalhadores da Petróleos de Venezuela (PDVSA) suspendam a greve e voltem ao trabalho, os grupos que querem derrubar o presidente Hugo Chávez sofreram outro duro revés neste fim de semana. O governo venezuelano conseguiu, pela primeira vez nos últimos 20 dias, mobilizar o petroleiro Pilín León, que se encontrava atracado no Lago de Maracaibo desde os primeiros dias da greve, iniciada no dia 2 deste mês. Com isso, 44 milhões de litros de combustível começaram a ser bombeados sábado à noite para grande parte da região ocidental da Venezuela, a partir do terminal petroleiro de Bajo Grande. A operação de bombeamento desse volume de gasolina, suficiente para quase seis dias, duraria entre 12 e 15 horas. O presidente Hugo Chávez voou no mesmo sábado até Maracaibo para acompanhar pessoalmente toda essa operação e, certamente, para capitalizar politicamente essa "vitória" do governo contra a oposição, que insiste em manter a greve que, nesta segunda-feira, entrará na quarta semana. O programa dominical "Alô Presidente" foi transmitido diretamente desse Estado. Outros dois barcos petroleiros também entraram em operação e começaram a se dirigir aos Estados Unidos, onde serão descarregados alguns milhões de barris de petróleo, que, depois de refinados, serão reenviados para o país. Com isso, serão quase sete petroleiros indo em direção dos EUA com mais de três milhões de barris de petróleo. Dessa forma, os quase 10 milhões de barris acumulados nos reservatórios da região ocidental do país começarão a ser esvaziados. Isso, por sua vez, permitirá a produção de mais petróleo, que é extraído junto com gás, cujo suprimento começava a ficar crítico por causa da impossibilidade da produção de óleo cru. Ainda neste início de semana deve chegar ao país outro navio com nafta, combustível utilizado para abastecer o setor de aviação. Oposição Em reação à retomada da circulação de combustíveis no país, a oposição, por meio de seus porta-vozes Carlos Ortega, presidente da Confederação de Trabalhadores Venezuelanos, e Carlos Fernández, principal executivo da Fedecâmaras, divulgou pela televisão agressivos comunicados de ataque ao presidente Hugo Chávez. Os dois, que costumam chamar Chávez de "ditador, assassino e traidor" em seus comunicados diários ao final dos últimos 20 dias, afirmaram que o governo permitiu que cubanos começassem a operar ao barcos petroleiros em detrimento da soberania venezuelana. A embaixada cubana, em comunicado, negou que os "novos tripulantes" do Pilín León e dos outros navios sejam cubanos. A mobilização dos barcos petroleiros e o bombeamento de combustível deve melhorar o fornecimento de gasolina e do abastecimento de alimentos nas próximas 72 horas na região metropolitana de Caracas. Para esta semana, por exemplo, está prevista a chegada de quase 300 caminhões-cisterna com gasolina à capital venezuelana. Já a importação de alimentos vem sendo feita da Argentina, Colômbia e da República Dominicana. Na semana passada, o governo colombiano garantiu o envio de mais de 1,4 mil toneladas de alimentos, entre farinha de trigo, carne e leite. Outro fato favorável ao governo será o funcionamento normal dos bancos nesta segunda-feira, depois de 15 dias de atendimento restrito, a portas fechadas. "O acordo com os bancos faz parte das ações do governo para enfrentar a situação provocada pela oposição e que gerou desabastecimento de combustíveis e de alimentos", diz um comunicado do governo venezuelano.

Agencia Estado,

22 Dezembro 2002 | 10h26

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